segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Fiocruz: 87% das garotas vivenciam agressão no namoro

 

21/09/2009 - 07h30

Fiocruz: 87% das garotas vivenciam agressão no namoro

São Paulo - Antes de virar mulheres, elas já viveram a experiência da agressão do parceiro, que pode ser um garoto conhecido na festa do último fim de semana. No entanto, entre os casais jovens, as meninas não ocupam só papel de vítimas, mas também de autoras dos maus-tratos . Pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), feita com pessoas entre 15 e 19 anos de todo o País, identificou que 87% das adolescentes já vivenciaram formas de violência no namoro ou no "ficar". "Atestamos, porém, que as garotas estão agredindo quase que na mesma proporção do que os meninos", afirma a autora do estudo, Kathie Njaine, que tabulou os 3.205 questionários, recolhidos nas cinco regiões do País.Na pesquisa, relacionamentos efêmeros foram suficientes para reunir episódios agressivos. "Beliscões, empurrões, tapas, xingamentos, ofensas, humilhação pela internet foram formas de agressão citadas pelos entrevistados", diz ela, que afirma não ter atestado diferenças regionais nos números. "No geral, a prevalência de agressão é alta e surpreendente." Os dados estão sendo interpretados e devem virar um livro.
Os índices de agressão equiparados entre garotas e garotos podem ser explicados por outros estudos que já identificaram aumento no comportamento destrutivo por parte das garotas. As menores de 15 anos, segundo o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), representam o único grupo etário que usa tantos entorpecentes quanto meninos de mesma idade (5% em média). Nas outras faixas, há diferença significativa entre os gêneros.
O Inquérito sobre Saúde do Paulistano - recém-divulgado pela Prefeitura - mostra que o número de mulheres que dizem beber de uma a três vezes por semana passou de 12,4% em 2003 para 19,8% em 2008, crescimento não atestado entre homens. Drogas e álcool - que há mais tempo frequentam a vida deles - são combustíveis de agressividade, afirmam os especialistas. "A igualdade delas no consumo de substâncias psicoativas aumentou o envolvimento em atos mais violentos", afirma a médica Vilma Pinheiro Gawryszewski, que coordenou o Núcleo de Combate à Violência de São Paulo. "A droga atrapalha o autocontrole, tudo é exacerbado, incita a violência.Isso é mundial."
Ainda que o uso de entorpecentes esteja por trás das agressões praticadas pelas garotas, isso não anula, na visão dos especialistas, a importância da iniciação precoce da violência entre os jovens casais, fenômeno antes só associado à fase adulta. No estudo da Fiocruz se identificou que muitas meninas não terminam o relacionamento por medo das ameaças. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Segredos de Família

 
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Segredos de Família
Suely Pavan (*)
Segredos são segredos. E só se expressam através de olhares cúmplices, aqueles entendidos apenas por aqueles que sabem o segredo.
Segredos de família existem aos montes: uma morte mal explicada de um parente; um filho ilegítimo; uma adoção feita a sete chaves; uma traição no casamento; um estupro; violência familiar; um aborto. Na época em que tais fatos aconteceram cada família lidou com eles de um jeito. Mas o tempo passa, e os segredos ficam guardados nas quatro paredes da casa. Os filhos crescem, os netos aparecem, e os segredos permanecem. Como sabemos deles? Percebemos, principalmente quando somos crianças, época em que somos mais perceptivos e intuitivos, que faltam pedaços nas histórias que nos contam. São piscadas dadas pelos adultos quando perguntamos, por exemplo: Onde está a foto do vovô? E tias dão risadinhas entre si e nos contam histórias mirabolantes. Acreditamos nas histórias, mas os gestos dos adultos de alguma forma nunca enganam as crianças. Crianças guardam os gestos, e os carregam pela vida. Gestos são denunciadores. Crescemos com os gestos que vimos e esquecemos as palavras que nos contam.  
Nas histórias que faltam pedaços de nossa família, as crianças crescem e carregam também o segredo que desconhecem. Muitas vezes quando adultas repetem as mesmas histórias que um dia aconteceram com algum membro da família. E nestes momentos difíceis os segredos são revelados, e as histórias das pessoas são reescritas.
Jesus tinha uma frase sábia: Conhecerás a verdade e a verdade vos libertará!
Verdades são duras de engolir, esta é a mais pura verdade. Se fossem fáceis, segredos de família nunca assombrariam nossos sonhos e nossa realidade. Até porque não seriam segredos, mas fatos desagradáveis que acontecem em toda e qualquer família. Mas os segredos existem. Existem porque nem sempre queremos lidar com a realidade, e negamos os fatos. Existem pois já houveram época nas quais alguns temas eram proibidos, como por exemplo, uma gravidez indesejada. Nunca falamos sobre eles, pela dor que provocam, e principalmente pela vergonha e culpa. Há famílias que combinam de nunca falar sobre determinado assunto, e assim se faz. São pactos conscientes do tipo: morreu o assunto.
O duro é que o assunto não abordado nunca morre. Ele apenas fingi-se de morto. Perambula em nossa mente. Acompanha nossos pesadelos. Sobre os sonhos, todos sabem, ninguém tem o menor controle.
Conheço pessoas que um dia, assistindo a um curso ou fazendo terapia, lembraram-se de fatos bloqueados de sua infância. Ser assediado por um pedófilo, por exemplo, foi uma cena marcante da infância. E mais comum que possamos imaginar no universo dos meninos. Das meninas todos cuidam, mas os meninos pobres coitados, quantos foram assediados e nem sequer lembravam! Coisas que a família quase nunca percebe. O cara era o amigo. O cara era o professor. O cara era um tio. O cara era o pai. Mas um dia a “ficha cai” e a verdade aparece.   E aí se desbloqueia o próprio segredo, aquele que ainda estava no inconsciente.
Cada um lida com a verdade de seu próprio jeito. Mas a maioria ainda a considera libertadora, apesar de muito, mas muito dolorida mesmo. Lidar com ela é lidar com uma série de sentimentos e emoções: culpa confusão, medo, prazer.
O mais interessante é que tanto nos segredos pessoais como nos familiares, tanto conscientes como inconscientes, quando nos damos conta dele, refazemos a nossa própria vida. Nossas escolhas se tornam mais claras. Muito mais do que um processo de conscientização ocorre um “insight” algo aclarador (a dor se torna clara)  e absolutamente interno. Estas descobertas nos fazem escolher de um jeito novo, deixamos de nos auto-sabotar e principalmente de repetir histórias que não nos pertencem. Histórias passadas que foram de nossos avôs e até bissavôs. Coisas que não nos pertencem são finalmente depositadas em seu devido lugar. São enterradas. Ficam no lugar que devem ficar.
Enterrar o que já passou é preciso, para viver mais leve e carregar apenas aquilo que é nosso vida afora. Segredos de família, ao contrário, nos atolam. Muitas vezes não entendemos por qual razão agimos deste ou daquele jeito exagerado ou tristonho ou até que nos bloqueiam os caminhos da vida. Ao andarmos pela nossa casa, nos deparamos com o muro e as paredes, e nele estão os segredos guardados. Eles estão enterrados nos lugares errados. Ninguém os vê mais, mas eles lá estão. Fazem parte da família, são como fantasmas que estão sempre presentes. Ao descobri-los entendemos sua dor, conversamos com estes fantasmas e os deixamos ir em paz. Afinal, eles não ficaram no aqui e agora porque quisemos. Fazem parte de outra história, de um outro tempo. Assim agindo os libertamos de suas amarras, e desta forma também nos libertamos. Mudamos nossa rota, nosso passado e nosso futuro. O presente nos fez encontrar a verdade. E o mais importante: Perdoamos a todos os nossos antepassados que ficaram presos ao fantasma da casa por seus segredos. Eles não tinham culpa. Eles apenas não souberam lidar, na época deles, com algo muito humano: suas dores e vergonhas.   
A verdade, finalmente, libertou a todos. 

(*) Este texto poderá ser utilizado em outros veículos desde que se mantenha a sua integralidade, autoria e forma de contato: www.pavandesenvolvimento.com.br    

terça-feira, 8 de setembro de 2009

DIGNIDADE

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 DIGNIDADE
Suely Pavan (*)


Nos cursos abertos de desenvolvimento pessoal que ministro tenho por hábito distribuir caderninhos coloridos contendo palavras escritas em japonês e português em sua capa. Como a maioria do público destes cursos são mulheres, os caderninhos escolhidos normalmente versam sobre temas como amor e beleza. No último curso sobrou um caderninho todo azul e com o seguinte escrito: Dignidade.

Ele ficou guardado por um bom tempo num armário do meu escritório, e recentemente resolvi usá-lo para anotar minhas idéias. Tenho vários cadernos de idéias, nos mais diferentes lugares: carro, bolsa, banheiro e criado-mudo.  Ele parecia apenas mais caderninho de idéias, até o dia em que absorta na minha mesa de trabalho resolvi olhar com mais atenção para aquela bela palavra: Dignidade.

Pensei também sobre o motivo que ninguém o havia escolhido. Será que falta dignidade? Será que sobra dignidade? Ou será que não damos o devido valor a ela.

Lá fui eu pesquisar sobre a tal palavra. Na realidade uma virtude.

Descobri que na Índia, por exemplo, o símbolo da dignidade é o pavão, e quem faz uso dele em seus adereços é o próprio Krishna.

Em sua raiz etimológica dignidade, provém do latim: dignus é “aquele que merece estima e honra aquele que é importante”. 

E foi aí que pensei: Mas nem sempre recebemos a estima e honra que merecemos. Como agir então com dignidade, exigir nossos direitos e principalmente o devido respeito?

Foi neste momento da pesquisa que me deparei com outra palavra: arrogância.

Lembrei então de um filme: O óleo de Lorenzo. Ele é a história verídica de um menino – o Lorenzo – que aos seis anos de idade começa a manifestar uma série de sintomas relacionados a uma doença muito rara a adrenoleucodistrofia. Seus pais vendo que os médicos não tinham uma solução para o caso de seu filho, passam a pesquisar sozinhos alternativas para a doença. E é assim que eles encontram o tal óleo, que passou a se chamar “óleo de Lorenzo”. Numa famosa cena do filme o pai de Lorenzo é chamado de arrogante pelo médico, devido a este confronto com a ciência. O pai furioso reage ao julgamento do médico dizendo algo que eu nunca esqueci:- Sou arrogante sim. Arrogante vem de arrogare, que é aquele que arroga um direito para si. Se apropria dele.


Infelizmente o termo popularmente se vulgarizou, e passou a ser visto muito mais como pretensão, pedantismo e soberba tal como era entendida a palavra no século 19. Só para concluir a história de Lorenzo, ele contrariou todas as expectativas médicas, que diziam que ele iria durar muito pouco. Viveu até os 30 anos de idade, e morreu de pneumonia no dia 30 de maior de 2008, e segundo o seu pai sua morte nada teve a ver com a doença original de Lorenzo. Se o seu pai não tivesse sido digno e arrogante o bastante para desacatar a ciência médica, provavelmente o menino teria morrido lá pelos seus oito anos de idade.


Sim na vida é preciso em muitas situações ser arrogante, até porque às vezes é a única forma de se manter a própria dignidade, ou o direito ao merecimento e ao respeito.


Minha percepção dos brasileiros é esta: Exigimos muito pouco, e desta forma ferimos a nossa própria dignidade. Tratamos-nos como seres indignos de respeito, e por esta razão toleramos o intolerável: filas, explicações mal dadas, e o que é pior, a perda de tempo, a perda da própria vida, computada em minutos, horas e dias.


Deixamos por comodidade coisas importantes e que manteriam a nossa dignidade. Nos conformamos e vivemos a justificar o comportamento alheio:


- Coitado, ganha pouco;


- Deixa para lá, não adianta reclamar mesmo;


- Sempre foi assim, nada vai mudar.


E um monte de outras expressões que tanto você quanto eu já estamos cansados de escutar.


 


Esquecemos-nos que dignidade não pode e muito menos deve ser deixada de lado, em troca de amor ou beleza. Não é toa que o caderninho com esta imponente palavra foi deixado prá lá!


Ficar num amor ou relação que não nos dignifica é o mesmo que dizer que o outro: Eu não mereço.


Perder a dignidade por causa da beleza, do trabalho, ou de qualquer outro fator também não vale a pena.


Merecer direitos, saber exatamente o tamanho que se tem, deixar de se confundir e poluir em função do outro, e se for preciso subir no salto e ser arrogante, são coisas que não deveríamos deixar de lado, por nada e muito menos por ninguém.


A dignidade pode andar sozinha, mas em alguns momentos ela precisará da ajuda firme e forte da arrogância para manter-se em equilíbrio.


 


(*) Este texto poderá ser utilizado em outros veículos, desde que se mantenha a integralidade do texto, sua autoria e forma de contato: www.pavandesenvolvimento.com.br 

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

NINGUÉM MERECE


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NINGUÉM MERECE
Por mais que amemos nossos filhos, há coisas que eles fazem que “nenhuma mãe merece”!
Embora o diálogo seja apregoado aos quatro ventos como o salvador de todas as relações. É impossível dialogar com um filho (a) que simplesmente não quer dialogar, e quer apenas fazer o que lhe der na cabeça. Filhos que são incapazes de seguir regras. Filhos respondões e filhos ingratos. Que se negam a entender o sacrifício que os sais pais muitas vezes fazem para que eles se divirtam, estudem etc.
Há filhos ingratos, sim!
Assista a novela “Caminho das Índias” e você verá um belo exemplo do que escrevo nestas bandas. É a personagem Julinha, que é filha da Sílvia. Ela como a maioria dos adolescentes e jovens atuais não sabe esperar. E por não sabê-lo se mete em confusões. Pois quer tudo pra já, pra agora! O resto que se dane inclusive as leis. Estes jovens fazem parte da geração microondas, na qual tudo fica pronto rapidinho. É como em casa, descongela no micro e está pronto. Pura mentira!
A vida lembra mais a comida sendo preparada no fogão. É preciso temperar, esperar e esperar cozinhar, e só depois comer. Talvez este exemplo, relacionado ao tempo de cozimento dos alimentos, seja o melhor exemplo que possamos dar aos nossos filhos impacientes: DEIXE-O ESPERAR!
Ele ficará angustiado, prometerá “resolver as coisas ao seu modo”, se meterá em encrencas que terá que assumir tal como a Julinha da novela. Enfim, ele se frustrará. E frustração faz parte da vida
Se o sei problema é culpa. Compre um garfo, puna-se, ou até se pregue numa cruz. Mas faça um bem ao seu filho (a): Ensine-o que a vida é um processo. E tudo que é bom, demora um tempo para ficar pronto. Inclusive mães e filhos.
Por: Suely Pavan