segunda-feira, 18 de agosto de 2025

 DESCOBRI QUE TENHO UM BLOG!


Olha só!

Fuçando na Internet descobri que tenho um blog, na realidade, tenho mais de 4 blogs espalhados por aí. Achei que eles estava perdidos, mas como escrevo há muito e muitos anos e para lugares diferentes volta e meia procuro um texto que foi publicado em algum lugar. 

Alguns já foram modificados por pessoas que alertei. Já virei "autoria anônima". Já escrevi cursos e mais cursos que foram copiados na maior cara de pau, e ainda tive que ouvir: Conforme-se, isso é um elogio. Hoje em dia se alguém copiar sem autoria algo que escrevi não vou achar elogioso, aliás nunca achei. Só que antes quando você refutava este tipo de argumento era tida como chata, autoritária, e não sei mais o quê.  A idade mostra que isso são apenas manipulações para deixar a mulher para baixo. 

Uma vez um texto meu, na realidade metade, saiu numa revista de grande circulação. . Eu, na época fiquei chocada. Não me conformava com tamanha cara de pau.

E o interessante também é observar nestas escritas todas o quanto mudei. Muito daquilo que escrevi no passado em termos de opinião particular hoje não escreveria mais. Reparei que em alguns escritos eu era preconceituosa, e talvez o mundo da época também fosse. Aliás, coisas do passado que todos faziam hoje não, graças aos céus, não colocam mais. 

Acho o mundo moderno maravilhoso. Não só a tecnologia, mas os questionamentos. E a possibilidade que temos todos de aprender algo novo. Acho que por isso o conceito de velhice também tenha mudado. Hoje em dia ficamos velhos no corpo, e salvo algum doença, nossa cabeça continua em pleno funcionamento. E ai daquele que fica repetindo "no meu tempo era melhor". Sinto muito: Não era!  Basta você estudar história.

Acho que é isso, por em quanto. 

suely@pavandesenvolvimento.com.br


quarta-feira, 22 de março de 2017

AS MULHERES E AS ESCOLHAS


Suely Pavan Zanella

Quando assisto a filmes antigos sempre penso: Nossa! Como era difícil ser mulher antigamente!
À mulher antes cabia apenas o papel de esposa e mãe. E nem todas podiam escolher seus maridos, já que muitos casamentos eram arranjados. Poucas estudavam, e aquelas que o faziam nem sempre podiam seguir as carreiras que almejavam. Na década de 80, por exemplo, eram raríssimas as mulheres que cursavam Engenharia. Dirigir, então, era raríssimo. Ser desquitada era uma ofensa.
Hoje, a mulher tem escolhas, ainda bem!
Sei que muitos direitos ainda precisam ser adquiridos, mas é impossível não valorizar o quanto progredimos. E o quanto hoje temos escolhas, que nossas mães, avós e tataravós, nem sequer imaginavam.
Hoje nos casamos se quisermos. Teremos filhos se assim desejarmos. Estudaremos e trabalharemos. Além de poder se divertir da forma que achamos melhor. Não precisamos casar só porque resolvemos transar com alguém. E mesmo que tenhamos um filho quando solteira não seremos mais mal vistas como no passado. Antigamente se uma mulher tivesse um filho enquanto estivesse solteira ou ficasse grávida enquanto estava noiva, se dizia que ela havia dado um mau passo.   
E as roupas, então? Quando eu era pequena havia uma distinção entre roupas de senhoras e jovens. Hoje não, às vezes mal se sabe a idade de uma mulher de tão jovem que ela aparenta ser. E uma adolescente pode pintar os cabelos de grisalho, se assim desejar.
Se uma mulher resolve se casar hoje em dia é ela quem escolhe o par e ele poderá ser um homem ou uma mulher. Poderá ser mais velho que ela, ou mais jovem. Mais rico, ou mais pobre. Mais baixo, ou mais alto. Branco, preto, judeu, católico, ou seja, lá o que for. É ela que escolhe, aliás, é ela que sempre escolhe, mesmo quando se esquece disso.  
Talvez seja isso que tenhamos que lembrar às mulheres que ainda se sentem escravizadas por relacionamentos destrutivos, trabalhos degradantes, ou qualquer situação limitadora: Você tem escolhas!
No passado as escolhas femininas tinham sempre que ser justificadas à alguém, hoje ela explica suas decisões se quiser. Não é obrigada!
Mesmo quando há uma cobrança familiar ou social. Dane-se!
Se for adulta ela não precisará dar satisfações a ninguém.
E é assim, aliás, que temos que fortalecer as mulheres.
Mas eu sei que tem muita mulher que se sente enfraquecida pelas cobranças alheias, e acha que é impotente de tão fraca que esta. De algum jeito, ela precisa se potencializar, ir atrás de ajuda.
Mulher tem que lembrar que é ela que muda o mundo. É ela que abre portas e inclui. Quando ela se fortalece, também possibilita a inclusão dos “diferentes” e das minorias.
Já reparou que quando o movimento das mulheres cresceu no mundo, cresceu também a abertura para todos aqueles que eram considerados diferentes e pertencentes à minorias? Como as crianças, os homossexuais e os negros, por exemplo.
O maior mitólogo contemporâneo Joseph Campbell diz: O homem só conhece a vida, através da mulher.
E a Ética tão feminina que é diz: Que a vida tem que ser boa e digna para todos sem distinção alguma.

Enquanto assim não for, são as mulheres que levantarão bandeiras silenciosas, muito diferentes da queima de sutiãs nos EUA na década de 60, e lutarão por justiça e igualdade em suas atividades diárias. E é por isso que elas precisam estar na política, nos altos cargos das empresas, e nas lideranças em geral. É o seu dia a dia que mudam o mundo. Hoje a revolução é silenciosa, mas muito potente. 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Crônica: DE PARAR O TRÂNSITO

Suely Pavan Zanella
Tem mulher que para o trânsito de tão bonita que é. E tem homem que também para pelo mesmo motivo. Mas, infelizmente, muitos param o trânsito por pura folga.
Foi esta a cena que vi logo cedo. Do outro lado da rua em que eu trafegava uma motorista simplesmente queria virar na contramão, em local proibido. Atrás dela uma fila enorme de carros, alguns inclusive já atrapalhavam o farol. A atitude da moça não me surpreendeu, afinal lá, é comum as pessoas fazerem essa conversão perigosa, simplesmente para acessaram um prédio de altíssimo padrão. O que me causou estranheza foi a total complacência dos motoristas: nenhuma buzinada; nenhum gesto de irritação; nada, absolutamente nada. A conivência com os errados, com os descumpridores das Leis é enorme.
Quem nunca na vida viu um coitado tentando fazer a coisa certa no trânsito e ser achincalhado pelos demais motoristas?
É o cara que para logo abaixo da placa proibido estacionar, e que você para passar tem que se apertar todo, tomando um cuidado enorme para não riscar o carro ou quebrar o espelho retrovisor do folgado.
No sábado vi um ônibus que por duas vezes passou “na cara dura” no semáforo vermelho. Ele não diminui a velocidade, e simplesmente passou. Se houvesse algum pedestre ele que se lascasse.  
Atrás deste comportamento cruel no trânsito há uma crença limitante, a de que sou melhor do que os outros. A tal da competição: Chegar à frente sempre, custe o que custar. E os outros? Eles que se danem!
E pessoas que assim agem, mesmo que digam o contrário, na realidade não se importam mesmo com os outros, por algum critério de julgamento torto tem certeza de que são melhores do que os outros. O outro pode sempre esperar, e eu posso parar o trânsito.
São bloqueadores da fluidez. No contexto médico provocariam aneurismas ou infartos do miocárdio. Mas na prática são verdadeiros cânceres que se espalham sem medicação.

Matam aos poucos todos nós, mesmo quando de tão ocupados que andemos nem sequer nos apercebamos o quanto estes seres são nocivos. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Homens Gentis

Homens Gentis

Suely Pavan Zanella
A repercussão nas Redes Sociais do tratamento dispensado por Obama à sua esposa Michelle em comparação ao de Trump junto à Melania, mostrou que as mulheres gostam mesmo é de homens gentis, educados e cavalheiros. E que homens também gostam de assim ser.
E gentileza, educação e cavalheirismo têm a ver com pequenos gestos como se pode ver nas fotos e vídeos existentes. Um abrir de portas, caminhos e colocar a mão para guiar passos. Além, é claro, de olhares cuidadosos. E uma interessante inclinação corporal de Obama em direção sempre à Michele, típica das pessoas que têm interesse real em outra. Este último gesto que vi em alguns filmes e que foi pouco comentado, para mim que sou psicóloga, foi um dos mais significativos, pois raramente pode ser falseado, já que é espontâneo.
Ou seja, é muito fácil perceber se um homem está ou não interessado em uma mulher. Até em alguns espécimes do sexo masculino em relação à fêmea este gesto de interesse genuíno é visto.
Como disse certa vez uma moça: Sabemos abrir e fechar a porta do carro, mas é muito bom quando um homem espontaneamente faz isso por nós.
Podemos ser independentes, feministas, e mesmo assim apreciarmos as gentilezas masculinas. As coisas não são incompatíveis. Mulher gosta, pelo menos a maioria, de ser bem tratada. E reclama muito também da grosseria de alguns machos.
Óbvio que há exceções! Algumas mulheres julgam atos gentis, cavalheiros e educados como mera objetificação e entendem estes gestos como algo assim: Ele só quer ser meu dono!  
Particularmente acho que isso é um viés de pensamento e também de ação.
Por várias vezes supervisionei trabalhos de alunos que estavam trabalhando com o universo feminino atual, e não foram raras as cenas em que as mulheres dramatizavam as seguintes situações:
- Um rapaz se oferece para ir busca a participante do curso em sua casa, e ela na cena diz: Eu tenho carro, não preciso que ninguém me pegue em casa.          
Como no Psicodrama (metodologia de ação) trabalhamos com diferentes técnicas, sendo uma delas a inversão de papéis, minha supervisionanda verifica que ao se colocar no lugar do rapaz, e só desta forma, a moça percebe sua grosseria. E obviamente depois se descobrem através de uma investigação diagnóstica as razões que fazem a moça que reclama de solidão dar uma resposta tão estereotipada quando esta. Percebe-se que é ela que generaliza os homens, e por assim pensar trata este da mesma forma. E o mais interessante, e graças à sessão com o método psicodramático, é que ela também percebe isso.
- Outra participante, em outra cena de outro curso, ao ir jantar com um rapaz e ao vê-lo tentar pagar a conta faz o seguinte: Tira todos os cartões da bolsa, e os espalha pela mesa e diz: Eu tenho dinheiro, portanto, sou plenamente capaz de pagar a minha parte!
Essa infelizmente, durante a inversão de papéis, não conseguiu colocar-se no lugar do rapaz. E só percebeu o motivo real de sua solidão ao final do curso.

Da minha parte acredito piamente que mulheres gostam de ser bem tratadas e conquistadas sempre. Minha experiência e pesquisas com o Universo Feminino desde 1998 prova isso. O mitólogo Joseph Campbell vai mais longe e diz que mulheres precisam ser reverenciadas. E talvez este seja o principal diferencial de Obama junto à sua esposa, diferentemente de Trump que tratou a esposa como uma espécie de assessório ou ornamento.   

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

A BARATA

A BARATA

Suely Pavan Zanella
Ontem na hora em que subi as escadas para dormir dou de cara na parede do corredor com o bicho mais asqueroso do mundo: A barata!
Dou um grito e meu marido aparece. Não era um ladrão sorrateiro, muito menos um leão, era uma barata. Tento pegar o chinelo para matá-la e aí vem o pior da história: Ela desaparece.
Meu marido aparece no corredor munido de uma lanterna eu pego o inseticida. Ficamos horas procurando a tal barata. Eu já estava arrepiada, sentia que o bicho maldito estava perto de mim. Mas onde?
Tento, inutilmente, é claro, pensar como uma barata: Se ela foi pra cá, deve estar aqui. Verificamos quadros, paredes, tetos, chutamos móveis, livros, e nada!
Dizem que pior do que achar uma barata é perdê-la!
Deveria haver, dentre tantas invenções, um detector de baratas.
Racionalmente sabemos que baratas não fazem nada, não mordem, não arrancam o nosso sangue tal como os pernilongos, e muito menos nos dão tiros. Que poder elas exercem sobre nós? Há muita gente que tem medo de baratas no mundo.
Quando estava no último ano da faculdade, e sendo a minha formação psicodinâmica (psicanálise), um professor um dia disse que a barata é uma espécie de depositário de nossas projeções referentes ao medo. Seria algo como a soma de todos os medos jogados numa única figura: a barata.
Na minha experiência de vida já notei que as baratas assustam muito mais as mulheres do que aos homens. Será que uma psicanalista ao ver uma barata em seu consultório faria a mesma interpretação de meu professor? Ou como a maioria das mulheres sairia gritando, pedindo ajuda e munida de um frasco de inseticida?
Meu medo ontem era de que ao dormir a tal barata invadisse a nossa cama.
Só sei que depois de horas procurando, meu marido a achou na janela do escritório. Ela estava tentando fugir, e ele num só tapa a matou!


Ufa! Que alívio, poder tomar banho e dormir sossegada. 

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Estamos Irreconhecíveis?

Estamos Irreconhecíveis?
O tempo nos transforma, é verdade, mas será que mudamos fisicamente tanto assim?

Suely Pavan Zanella

Quando eu estava grávida de meu filho há trinta anos eu tinha uma mania, todos os dias eu passava no supermercado e babava na seção de vinhos (só olhava, já que não podia beber). Um dia escutei uma mulher chamando o meu nome a uma distância. Eu devia estar de uns oito meses, tinha um barrigão, e havia engordado cerca de 20 quilos. Quem me reconheceria daquele jeito?
A mulher continuou a me chamar e toda alegre veio ao meu encontro. E eu pensei: Quem será ela?
Ela disse o seu nome, que havia estudado comigo no que outrora se chamava ginasial e eu só fui me dando conta de quem ela era através da voz e do jeito infantil de falar (parecia que ela sempre estava com um chiclete na boca), mas fisicamente ela estava muito diferente. Ela era aquilo que os americanos chamam de “popular” na escola. Não tínhamos amizade, eu sempre fui C.D.F. daquelas que sempre sentam na primeira carteira e vão bem nos estudos. Meu grande defeito era rir de tudo, tanto que na época da escola um dos meus apelidos era risoleta. E minha risada sempre foi alta e escandalosa. Ela, ao contrário, perambulava pela escola, tal como uma borboleta em busca de rapazes. O jeito que ela me tratou no supermercado porém, foi diferente, e parecia que eu e não ela era “o popular”. Conversei um pouco com ela, fui educada e mais nada.
Anos se passaram e um dia peguei um taxi para ir ao Shopping perto de casa. E de novo aconteceu o mesmo. O motorista sabia tudo sobre a minha vida, falou dos meus pais, e eu até hoje não sei quem ele é. Mas, fiquei impressionada com o número de detalhes que ele sabia sobre a minha pessoa e de minha família. Ele também havia estudado comigo só que na época do que se chamava antigamente de Colegial. Quem era o cara? Não sei.
Todos nós com o passar do tempo mudamos nosso aspecto físico. O que notei é que algumas pessoas mudam muito. E não estou falando em engordar ou emagrecer. Ou mudar a cor dos cabelos, coisa que eu faço sempre. E muito menos de fazer plásticas e ficar plastificado. Muito menos de querer ficar eternamente jovem. O que me refiro são pessoas que envelhecem de um jeito estranho, e estampam um certo amargor, gente que vive do passado, e que repete a todo o tempo “no meu tempo”. Acho que isso é algo que vai mudando as pessoas fisicamente e para pior.
Outro dia encontrei uma amiga no supermercado também da época em que cursava o ginasial, ela estava mais velha, é claro, mas a luminosidade de olhar era a mesma, e o rostinho também. Parecia que o tempo havia parado. Ficamos um tempão conversando e depois a encontrei no Facebook. E o mais engraçado, que nem notei se ela estava gorda ou magra, coisa que normalmente as pessoas se fixam (uma bobagem cá entre nós).  

Bom, da minha parte fico feliz de ainda ser reconhecida. Afinal, eu continuo a ser estudiosa, gosto de aprender, e dar risada de forma escancarada, e sei que o meu tempo é este, o resto é passado. E passado é só referência, permanecer nele, ou justificar toda e qualquer coisa como sendo em função dele, faz o pescoço ficar duro, o rosto enrugado e os joelhos dobrarem mais rápido. 

segunda-feira, 9 de maio de 2016

CONFUSÃO

CONFUSÃO


Por Suely Pavan Zanella

Confusão é uma espécie de novelo de lã que fica todo misturado e difícil de desenrolar. E não é à toa que a palavra em si signifique: Com fusão, ou seja, é quando tudo fica junto e misturado. É um verdadeiro caos!
Como desconfundir?
O melhor é ir por partes, tal como fazemos ao buscar desenrolar um novelo de lã embaraçado ou um cabelo do mesmo jeito.
Para desconfundir é preciso paciência, calma, e claro, vontade de sair da confusão.
Mas, quantas vezes na vida nos deparamos com pessoas e/ou situações que buscam complicar ao invés de desenrolar?
Os processos burocráticos das empresas estão aí para provar exatamente isso. A burocracia foi um processo criado para facilitar, mas hoje não só em repartições públicas como também nas privadas vemos processos e processos que poderiam ser enxutos virando novelos de lã de diferentes cores se misturando ad eternum. Uma verdadeira burrocracia que não serve para nada, só cansa e confunde seus usuários que na maioria dos casos já está em situação crítica!    
O mesmo acontece com pessoas que ao invés de buscar soluções só enxergam problemas.
Particularmente sou uma pessoa de resolver problemas. Ao vê-los na minha frente meu primeiro ímpeto é: Como posso resolver isso?
Isso funciona tão forte em mim que tive um chefe que dizia que eu deveria usar uma camiseta escrito: Adoro problemas!
Não pelo sentido de permanecer nos problemas através de reclamações, mas sim porque eu sempre pensei em formas de resolvê-los. E toda a vez que ele tinha um problema para resolver na empresa, ele me mandava ir no lugar dele . E claro, eu resolvia!
Sou assim! Mas, entendo que há pessoas diferentes de mim. Há os complicadores, aqueles que buscam soluções perfeitas e normalmente inatingíveis para resolver qualquer coisa. Há os orgulhosos, aqueles que nunca se contentam com nada. São ingratos e sempre acham pouco o que os outros lhes propõem, ou ainda, têm uma dificuldade enorme de aceitar ajuda alheia.
Como tudo na vida tem uma solução, salvo a morte, eu prefiro ir aos poucos, mas sem deixar de ir. E acreditar naquilo que minha avó dizia: O que não tem solução, solucionado está.
Às vezes as soluções e até a justiça aparecem só com o tempo.
A chave para sair dos nós da vida e seus diferentes embaraços é buscar um fator fundante, ou seja, o começo da história. Ao achar é também preciso encarar os fatos, mesmo que sejam doloridos. Só assim é possível se identificar e buscar soluções, antes disso é pura perda de tempo, e fica-se tal qual cachorro a correr atrás do próprio rabo.
Agora, quanto às burrocracias, podem me chamar, eu sou meio engenheira de processos, e adoro ver onde estão os gargalos, retrabalhos e claro, formas de solucioná-los. Não é à toa também que eu escolhi a profissão de psicóloga. Nós fazemos isso, somos especialistas em desnudar nós e embaraços, mesmo que seja difícil.


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

POR QUE TODOS OS PROGRAMAS FEMININOS SÃO SEMPRE IGUAIS?

POR QUE TODOS OS PROGRAMAS FEMININOS SÃO SEMPRE IGUAIS?


Por Suely Pavan Zanella

Basta você ligar a TV e buscar um programa direcionado para o público feminino e verá invariavelmente sempre as mesmas coisas: Moda; Beleza; Relacionamentos Afetivos; Notícias de TV (novelas e fofocas); Culinária, e, raras e pobres matérias sobre o mundo profissional.

Por mais criativos que os programas tentem se vender o roteiro é sempre o mesmo, e, infelizmente, isso não acontece somente na televisão. Há anos busco um site bacana para escrever para as mulheres, já que desde 2002, eu pesquiso e trabalho com o Universo Feminino, mas os conteúdos no geral são tão iguais que isso me desanima.

Parece até que no Universo Feminino as questões são sempre as mesmas dos anos 50, do tipo: Como esperar o maridão estando linda de banho tomado, com as crianças educadas e com um prato novo para recebê-lo.
Mesmo quando um bom tema é abordado de forma inédita, os depoimentos do entrevistado principal são constantemente interrompidos por com propagandas (merchandising), gente que não entende patavina do assunto dando palpites, e rasa profundidade, e até em muitos casos, falta de respeito ao entrevistado.  Um verdadeiro samba do afrodescendente esquizofrênico (só para ser politicamente correta!)

Os programas direcionados ao público feminino ocorrem sempre no período da manhã ou tarde, hora em que grande parte das mulheres está trabalhando. Então, este tipo de programa é direcionado a quem?

Quando comecei a fazer pesquisas sobre assédio sexual nas empresas além de uma absurda falta de dados me deparei com um único programa feminino falando com seriedade à respeito do assunto. Era um programa direcionado para mulheres em Portugal. Nele uma entrevistadora muito bem preparada conversava com uma vítima de assédio no trabalho. O programa tinha auditório, e o mesmo permaneceu em silêncio durante os 40 minutos em que a entrevistada contava o seu drama. Não houve interrupções e nem opiniões diversas. O assunto foi levado à sério, como deve ser, e a vítima, apesar de Portugal não ter como aqui uma Lei que criminaliza o assediador, foi incentivada pela entrevistadora a contar passo a passo como se deu o assédio sexual, que depois se transformou em moral, como ocorre, aliás, na grande parte dos casos. O programa foi um verdadeiro serviço de utilidade pública.

Por aqui nem programas de TV, e muito menos sites abordam esse e outros assuntos com a maestria com que deveriam ser abordados.
Por qual motivo isso ocorre?
Muita gente diz que o público não tem interesse. Pode ser. Se olharmos na Internet, por exemplo, os temas mais lidos veremos que eles se referem a fofocas de televisão. Além de dietas para emagrecer, segredos para as unhas ficarem impecáveis, e outros  relacionados à manutenção de padrões de beleza inatingíveis.

Recente pesquisa do Google mostra também que os temas preferidos das mulheres nas buscas são:
- Como excitar um homem;
- Como me vingar do meu ex;
- Como saber se o meu namorado é gay;
- Como conseguir um namorado rico;
- Como eu faço se esqueci de tomar um anticoncepcional?;
- Como ter um corpo perfeito;
- Como saber se estou grávida?;
- Como sair bem numa selfie.

Diante desta pesquisa pode ser mesmo que os programas femininos e os sites direcionados às mulheres estejam com a razão, o que de fato me entristece muito.  E não é à toa que o número de visualizações e público seja alto.
De minha parte vou continuar a escrever e falar para uma minoria.


terça-feira, 17 de novembro de 2015

Quando Será o Dia da Minha (Sua) Morte?

Quando Será o Dia da Minha (Sua) Morte?


Por Suely Pavan Zanella

Eles estavam felizes. Alguns assistiam a um jogo de futebol, outros foram ver um show de heavy metal em uma casa que desde sua fundação estipulou que por lá valeria qualquer tipo de espetáculo, menos a tragédia. Outros passeavam nas ruas.  Havia também aqueles que bebiam e fumavam nos bares, bem ao estilo livre e com mania constante de contemplar a vida parisiense.  O que nenhum deles sabia é que minutos depois muitos deles estariam mortos. Aqueles que ao contrário deles cultuavam a sombra e a infelicidade não se eximiram em atirar aleatoriamente. O que a vida e seu sentido representam para todo e qualquer assassino? Nada.
Fernando Savater em seu livro Ética para o Meu Filho diz que se todos os maus da face da Terra fossem corajosos diriam: Sou mau porque sou infeliz. E sou infeliz porque nunca fui amado.
Só os infelizes e sombrios não se eximem em apagar a luz alheia. Os puritanos fazem o mesmo, com a diferença, que matam a vida em vida. Quando você está bem, eles acham o contrário e vive e versa.
Os assassinos em geral seguem o mesmo curso. A vida para eles não representa nada, então, dentro desta lógica tirar a vida alheia dá no mesmo resultado: o nada.
Mas, para a maioria de nós que tentamos diariamente trabalhar, estudar, conviver com família e amigos, viver é muito importante. E nos momentos do dor da morte alheia, próxima ou não, passamos a pensar na vida e em sua importância. Não para viver intensamente, e desta forma também acabar com a vida mais rápido, mas sim para ir vivendo. Acredito que o gerúndio caiba exatamente bem quando o tema é vida. Vida que te quero viva!
Talvez o evento mais emocionante para os seres humanos seja o fato de ainda viver. E não saber quando tudo isso um dia e por qualquer razão cessará. Não importa que você seja adepto de alimentação saudável, coma só alface, até. Seja fumante ou não.  A verdade é que todos nós apesar da vida que vivemos um dia morreremos. Ninguém ficará para a semente, mesmo que leve a vida mais saudável do mundo. Todos os veganos um dia morrerão. Todos os que tomam não sei quantas xícaras por dia de café, idem, mesmo que as pesquisas digam que tomar não sei quantas xícaras do bom café promova a longevidade. Até porque viver muito ou preso a mil aparelhos em uma cama de hospital não deva ser lá muito bom!
Um vizinho de noventa e oito anos um dia no horário do almoço me disse: Viver muito cansa. O corpo não acompanha a sua cabeça!
O negócio, eu acho, é viver bem! Já que ninguém sabe mesmo quando partirá para sempre.
Você pode estar bem, e de repente ser surpreendido com a morte, como aconteceu em Paris, e diariamente nos homicídios.
Você pode estar doente, e se recuperar. Ou então estar doente e não alardear a sua doença, e de repente morrer. Já perdi três amigos do Psicodrama assim. Eu os acompanhava pelo Facebook, mas os conhecia pessoalmente, e um dia descubro que eles morreram. Obviamente levo um susto, e só depois descubro que eles estavam doentes. Mas diferente de muita gente que hoje quer se tornar famoso através de sua doença, desgraça ou mazela da vida, eles não propagandeavam as suas dores, ao contrário faziam postagem inteligentes e bem humoradas. Mas, no reduto de suas vidas particulares se tratavam. Nenhum deles deixou de trabalhar em meio aos tratamentos. Doença, estupro, depressão, ou seja, lá o que for não representa ninguém. Somos mais que isso, somos a vida que levamos. É o nosso conjunto que interessa. E aquilo que deixamos como exemplo.
Todos os dias no Twitter eu leio o obituário de alguém, acho que é a Folha de São Paulo que publica. Não sou chegada a dramas, mas é muito especial o jeito com que descrevem a vida de alguém: Gostava de cuidar das plantas; era apaixonada por piano...Descrições dos legados em vida.Isso é lindo! Todo o ser bom, deixa algum bom legado. Não preciso ser famoso e nem seque reconhecido pela população do planeta.
Não tenho como resgatar um monte de gente que morreu. Gente que sinto falta, muita falta. Alguns até hoje não acredito que morreram, tal como minha prima e meu pai. Mas, lembro-me deles e de todo o significado que eles tiveram na minha vida. Posso dizer que convivo com esta dor diariamente. Não adianta, quando perdemos alguém que de fato amamos a dor dói e muito. A saudade aperta, principalmente quando chega esta época do ano, em que a família é muito vital. Natal e Ano Novo com gente amada fazendo falta são difíceis de encarar.
Não recomendo a ninguém pessoal e profissionalmente, que engula as suas dores, ao contrário. Dores fazem parte da vida e são sofridas. Mesmo que as frases de autoajuda digam o contrário, como essa aqui, por exemplo: A dor é inevitável, o sofrimento não!
Apesar do jogo de palavras ser lindo, nunca vi ninguém sentir dor sem sofrer, aliás, são palavras semelhantes.
Quem engole dores um dia é cobrado por elas. Perceba que ao mesmo tempo em que cresceu a autoajuda (normalmente nos momentos de crise) também aumentou a depressão.
Tem gente, hoje em dia, que vive anestesiado com medo de não sentir dor. Quer que elas passem bem rápido. Não passam!  
Lembro de Freud que ao perder o seu neto querido perdeu também a vontade de viver. Trabalhava porque tinha contas a pagar, mas não tinha vontade de nada. Assim é o luto. Arrastamos-nos, para poder seguir em frente. E um dia, cada um ao seu tempo, conseguimos seguir. Assim é a vida!
A cidade de Paris está em luto, e mesmo assim, junto com sua dor silenciosa tenho aprendido muito com os parisienses. Os mais velhos dizem: A vida tem que continuar, ceder ao medo neste momento é a pior coisa. Eles têm razão. A vida continua e carregamos a dor dentro de nós, e através do nosso silêncio.

Ninguém sabe, afinal, quando será o dia de nossa morte. Mas enquanto este dia não chega que façamos de nossa vida algo digno, não só para nós, mas para todos que nos circundam. A luz sempre incomodou a escuridão. Que a vida nos mostre sempre a luz, e nos afaste da escuridão. É da luz que veio a vida, a liberdade e a inteligência. Que seja feita a luz! 

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O TEMPO EM QUE DANÇÁVAMOS JUNTOS

O TEMPO EM QUE DANÇÁVAMOS JUNTOS

Por Suely Pavan Zanella


Não pense você que vou escrever sobre a época dos bailes vienenses regados a Strauss. Muito menos de dança de salão, ou da forma elegante que os mais velhos dançavam em bailes espalhados pela cidade.
Nada disto!
Este texto versa sobre um hábito simples, não coreografado, e que não consistia em nenhum passo marcado. Bastava apenas a menina ou mulher, abraçar o pescoço do rapaz e ele fazer o mesmo ao redor da cintura dela. Os passos não tinham nada de dois pra lá, dois pra cá. Tinha gente até que dançava parada.  A verdade é que em toda danceteria, boate ou balada, depois de três ou quatro músicas agitadas, se tocava duas ou três chamadas de “música lenta”. Toda a banda, ou ao menos a maioria delas, tem em seu repertório músicas lentas, dançáveis, portanto, a dois. Vi isso até no último Rock In Rio!
Acredito que o ato de não tocar mais músicas lentas em baladas começou por volta do final dos anos 90. Ao menos em São Paulo foi assim. Quando as baladas por aqui se tornaram segmentadas, e o ato de dançar ganhou ou a adesão maciça das danças de salão, ou o egoísmo da pegação. E também as baladas em São Paulo começaram a ficar divididas por idade. O que é um verdadeiro absurdo. Dançar não tem restrição de idade, como disse certa vez o falecido ator Raul Cortez, ao ser motivo de gargalhadas por parte dos jovens preconceituosos ao dançar freneticamente em uma balada.
 O ato de dançar juntinho era uma excelente oportunidade de conhecer alguém. Já que durante a música era possível bater um papo. Se o papo era bom durava mais de uma música, caso contrário se encerrava logo de cara. Se o rapaz era inconveniente, do tipo que só queria ficar passando a mão na garota, também era fácil descartá-lo. Ao contrário de hoje em dia em que baladas só servem para beber até cair e fazer campeonato de quem beija mais, antigamente o prazer era conhecer pessoas.  E não é à toa que muita gente conheceu o namorado ou a namorada em um evento assim.
A música lenta seguia com precisão os passos para se conhecer alguém. Antes havia a paquera, e depois o bate papo. Nada era invasivo, como nos dias atuais. Hoje temos uma nova lei sobre o estupro, em que até um beijo forçado é considerado abusos sexual. Fico imaginando como deve ser difícil de provar este tipo de crime, em função da beijação generalizada e obviamente da bebedeira que virou sinônimo de diversão. Nos tempos da música lenta seria muito fácil, e na realidade não haveria o que temer, pois um beijo forçado era notório, e a garota normalmente, apesar da inexistência da lei, não se acanharia em se livrar rapidamente do seu agressor. Os beijos e amassos que poderiam ocorrer durante uma música lenta eram visivelmente consentidos por ambas as partes. E ninguém ficava contando com quantas pessoas ficou durante a noite.
As pessoas que viveram a época das músicas lentas tocadas em toda e qualquer balada, provavelmente são do tempo em que na infância e na adolescência participavam de bailinhos de garagem na casa (como na foto) de amigos, parentes, escolas e vizinhos. Estas atividades eram normais nos anos 70 e 80.
Desde que eu era pequena, a família de minha avó materna tinha o hábito de tirar as mesas da sala e dançar após as comemorações de Natal e Ano Novo. Como eu era muito pequena ficava com a seleção musical, uma espécie de DJ da época.

Tudo era regado a música, tanto que sempre achei que a vida deveria ter trilha musical. Havia música para os momentos alegres, tristes, e também para dançar juntinho. Com o fundo musical era possível liberar a imaginação. Bons tempos!

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Por Te Amar Tanto

POR TE AMAR TANTO


Suely Pavan Zanella

“Por te amar demais eu tenho permitido coisas aparentemente absurdas, para os outros.
Eu fico sempre tentando descobrir, por exemplo, o que fiz de errado, quando não te agrado.  Será que meu cabelo está mal penteado? Será que estou gorda e feia? 
Tenho feito academia incessantemente nos últimos anos, mas a impressão que tenho é que engordei e estou ficando velha. Afinal você vive a me criticar dizendo que eu como demais. E também não se exime em olhar as outras mulheres nas ruas.  
Ontem quis te fazer uma surpresa e te levei naquele restaurante em frente à praia que você gosta tanto e fiquei muito magoada quando você olhou descaradamente a moça que passava de biquíni. E o ato de me magoar te irritou muito. Peço desculpas pela minha infantilidade. E também pelo nervoso que te fiz passar. As pessoas no restaurante olhavam para você gritando na mesa comigo sem imaginar que eu era a culpada por você estar passando aquela situação constrangedora. Afinal, se eu me cuidasse mais você não teria necessidade de olhar para outras mulheres.
Sei que já fiz muitas promessas, e sempre você me diz que eu só sei falar e nada faço para melhorar o meu comportamento inseguro. Sei também que você não gosta de mulheres inseguras. Já me afastei dos meus amigos e parentes que você dizia que só me faziam mal. E desde que nos conhecemos você disse que ia cuidar de mim. E sempre fez isso, tomando o cuidado para que eu não me vestisse de forma atrapalhada ou chamativa demais. Sei que agora que você está desempregado tem ficado sozinho por muito tempo em casa. E que eu nem sempre tenho dinheiro para pagar as coisas que você gosta, como aquele vinho francês que sempre tomávamos. Vou me esforçar mais, para arrumar mais dinheiro, e talvez hoje à noite eu comece a fazer traduções em casa, após fazer um jantar especial para você, é claro.
Ah! Antes que você fique sabendo por outras pessoas hoje de manhã eu encontrei com aquela minha amiga da faculdade, a Magali lembra?
Ela me convidou para tomar uns drinks após o trabalho, mas como eu sei que você não gosta dela, eu recusei. Fique tranquilo!
Eu não quero te estressar e nem causar mais dissabores, e sei que você está chateado por ter perdido o emprego.
Ontem você disse que não aguenta mais morar comigo. Lembre que eu te amo demais! E não quero por nada te perder. Não sei o que seria de mim sem você. Prometo ser uma pessoa melhor.  
Não vou mais implicar também com as drogas e seus amigos que você traz para dentro de casa quando eu não estou. Talvez estas drogas te tragam o alívio que eu não sou capaz de te dar.
Essa noite, após o soco que você me deu, eu fiquei pensado em quanto eu estou errada em reclamar. Afinal, há três meses você está sem trabalho. E devido a esta crise não tem conseguido emprego.
Fique tranquilo que desta vez ninguém percebeu os hematomas em meu rosto, como daquela outra vez. Sei que você me bateu por puro nervosismo, afinal eu te irritei muito ontem no restaurante.  
Te amo demais!”

E-mail enviado por uma vítima contumaz de violência psicológica e física ao marido violento.
Ela como a maioria das vítimas acredita que é a culpada pelo comportamento violento do outro.

Se você se identificou com parte ou a totalidade deste texto busque ajuda. Você é co-dependente de um homem/situação violenta. 

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Brigões, Valentões, Machões e Playboys... Até que a Polícia chegue!

Brigões, Valentões, Machões e Playboys... Até que a Polícia chegue!

João Valentão é brigão
Pra dar bofetão
Não presta atenção e nem pensa na vida
A todos João intimida
Faz coisas que até Deus duvida...
João Valentão – Dorival Caymmi
Suely Pavan Zanella

Eles são corajosos, destemidos, e, até cruéis, mas este jeito peculiar de se achar invencíveis tem duração curta. Sua coragem, rebeldia e macheza dura até que a polícia chegue.

Com os bandidos já acostumamos a ver este tipo de comportamento. Com as vítimas não se cansam de usar frases feitas e assustadoras em assaltos. Adoram ameaçar. Mas quando a polícia chega é “sim senhor pra cá”, “sim senhor pra lá”. E, mal levantam a cabeça para olhar o policial. De repente viram donzelas assustadas.

O mesmo acontece com os valentões no transito, aqueles que cortam, costuram, só para chegar em primeiro lugar no semáforo, ou sei lá onde. Como a macheza é muito grande, a ponto de incapacitar a sua possibilidade de pensar, eles nem de percebem que aquele que corre nem sempre chega mais rápido a algum lugar. Eles te jogam nas guias, grudam na traseira do seu carro nas estradas, ma não tem coragem de assumir que gostam da velocidade e se habilitem a correr em Interlagos, por exemplo! A coragem deles, ou pseudocoragem é limitada, o que eles gostam mesmo é de azarar nas ruas, e “meter” medo. Tal como os bandidos, a valentia deles dura até que sejam parados pela polícia. Já vi muito “macho” fazendo um monte de barbaridades no trânsito, mas que nunca tiveram coragem de fazer o mesmo se há um carro de polícia à frente, mesmo que esteja lento, devagar quase parando. Sempre tenho vontade de dizer: Vai valentão, agora dá farol alto e fica buzinando para o carro da polícia!

E nem preciso dizer:Nunca vi nenhum valentão ser valente para encarar a polícia no trânsito.
Certa vez um ônibus fazia manobras perigosas pela manhã em uma avenida movimentada de São Paulo. O motorista, apesar das minhas buzinadas e também alertas de outros motoristas não se eximia em fazer verdadeiras barbaridades no trânsito. Ao avistar um carro de polícia fiz sinal, e a viatura parou. Falei que era psicóloga e que aquele motorista de ônibus era um assassino em potencial. Os policiais imediatamente pararam o ônibus, e adentraram no mesmo. E eu e os demais motoristas seguimos os nossos caminhos com tranquilidade. Para aqueles que não sabem potencial significa que alguém capaz de cometer um ato seja ele bom ou ruim, ou seja, tem potencial para. A maioria dos motoristas que fazem estas barbaridades no trânsito são assassinos em potencial, por mais que pareçam calmos para seus vizinhos ou parentes. Quem tem potencial para alguma coisa pode cometer um crime, por exemplo, desde que tenha as condições propicias para tal. Portanto, exames para tirar ou renovar carteiras de motoristas a meu ver deveriam ter avaliações psicológicas rigorosas.

Os agressores de mulheres, negros e homossexuais fazem o mesmo. Batem, xingam, agridem, mas viram “bonzinhos” e pacíficos quando a polícia chega, salvo quando estão embriagados ou drogados.
No vídeo abaixo um “machão” agride uma mulher na rua, e veja a reação “mansinha dele ao se deparar com a polícia: https://www.facebook.com/plantaopolicial1/videos/811408648968752/?pnref=story

E hoje temos a figura do valentão, machão, das redes sociais. Eles, e também elas agridem nos comentários que fazem, e reúnem uma série de pessoas doentias ao seu redor, que sofrem do mesmo machismo que eles e até elas. E depois, quando advertidos, tentam a todo o custo “aliviar” suas palavras dizendo que estavam bêbados, que eram brincadeiras, e outras frases típicas de agressores, ou jovens sem juízo. Eles ainda acreditam que a Internet é terreno fértil para o exercício da psicopatia generalizada, e se assustam quando se deparam com as leis. Esses valentões atacam figuras públicas, policiais, negros, mulheres e gays, e se escondem covardemente atrás de perfis falsos. Sua “coragem” é limitada ao insulto, pois não sabem lidar com as consequências de seus atos. A verdadeira coragem, porém, é aquela em que nos dispomos a encarar as consequências de nossos atos. O resto é balela, machismo e valentia circunstancial, geralmente aplicada contra os mais fracos. Playboys, de todos os tipos costumam agir desta forma.


Ainda bem que existem bons policiais para coibir estas práticas truculentas, esta violência diária, que muitas vezes acarreta péssimas consequências às vítimas destes valentões de araque. 

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

“HOT GIRLS WANTED”- Em busca da fama e do dinheiro

“HOT GIRLS WANTED”- Em busca da fama e do dinheiro

Por Suely Pavan Zanella

Elas têm entre 18 e 20 anos. Saem da casa dos pais, famílias de classe média e trabalhadores dos E.U.A., em busca de fama e dinheiro. O palavreado delas versa sobre: dinheiro fácil, rápido e fama imediata. Querem ser vistas, e ficarem famosas tal como é mostrado também no filme e livro Gangues de Nova York. Parece que esta nova geração de garotas, mal saídas do colegial, buscam a famosidade e novas visualizações a todo o custo, já que não tiram os olhos do celular. É isto o que mostra o excelente documentário Hot Girls Wanted disponível no Netflix, dirigido por duas mulheres: Ronna Gradus e Jill Bauer.

Antes de escrever este texto li várias críticas à respeito do documentário a maioria delas não muito boas,outras pessoas ficaram chocadas. Meu ponto de vista aqui será explorar este novo lado, e que pra variar pouca gente fala aqui no Brasil, que é justamente desta geração que busca dinheiro rápido, fácil e fama imediata, a qualquer custo. Uma geração fascinada por reality shows, Paris Hilton, e semelhantes. E principalmente uma geração que gosta de exibir-se publicamente. Já soube de casos, em meu consultório, de mães preocupadas porque descobriram blogs e fotos das filhas na Internet em trajes sumários. 

Todas as meninas eram de classe média alta. Apesar da boa educação e dos excelentes colégios que estavam gostavam e não viam mal algum em mostrar-se com pouca ou nenhuma roupa. E se não formos hipócritas veremos que está se tornando a cada dia mais comum o ato de mostrar-se, seja fazendo vídeos de si mesma em poses, ou melhor, performances chamativas e também sexo com rapazes, meninas e em grupo. Há uma necessidade absurda de reconhecimento visual, como se sem ele elas não existissem mais. O reconhecimento tanto pelas garotas mostradas no documentário como no cotidiano se dá através de “views”. “Mostro-me, logo existo”, parece ser o novo paradigma.

As meninas mostradas no documentário expõem seus vídeos e fotos no Twitter, que permite material pornográfico, diferentemente do Facebook e Instagram. É bom lembrar também que no Twitter a idade mínima para cadastramento é de 13 anos. Embora elas pareçam menores de idade, todas são maiores de 18 anos. O fator ter “cara de menina e comportar-se como tal” gera grande atratividade no público que assisti a este tipo de filme. A carreira delas dura muito pouco, já que o público quer sempre ver garotas novas, e por este motivo é chamado de “vídeo amador”. E a lista de garotas que procuram o recrutador, que leva 10% dos valores cobrados dos filmes que elas participam, além de festas, etc., não para de crescer, é um negocio muito lucrativo. Elas são descartáveis. Se a ilusão do dinheiro fácil, fama, e viagens é fator de atratividade no começo, logo elas se deparam com a realidade da violência dos filmes pornôs. Se paga mais, é claro, em cenas em que o ingrediente agressividade é mais forte, como no abuso facial e sexo oral que provoca vômito, que elas têm que comer. (Só de escrever me dá nojo!).  

Uma das participantes do filme desiste da carreira em função do desgosto causado aos pais e a tristeza evidente do namorado. Sem querer fazer discursinho politicamente correto (foi o que eu mais li nas críticas ao filme) deve ser muito difícil mesmo para um pai e uma mãe saber que sua filha bem criada caiu na indústria pornô. E também não sei como é ser namorado ou namorado de alguém que passa boa parte do tempo transando sem camisinha com outras pessoas.

Por qual razão elas entram nesta vida? Como já disse: Pelo dinheiro fácil e rápido e pela fama instantânea. Elas mesmas falam isso a todo o tempo.   
Embora eu não tenha lido nenhum comentário à respeito nos materiais que pesquisei, no documentário elas são descrentes de relacionamentos, e são frias, algumas nem sequer gostam de sexo, e outros os veem como sua grande motivação na vida. Elas de certa forma se tratam como materiais, e não é à toa que aquela que desiste da carreira o faz em função do namorado.
As prostitutas antigas disseram que ficaram pobres depois da Internet. Tenho certeza absoluta disso. Hoje milhões de clicks pornôs estão acessíveis para qualquer um a qualquer hora e em qualquer lugar. Logo aparecerá uma bela menina que busca fazer tudo o que quer na vida com o objetivo de se livrar de pais que dialogam e lhe deram uma boa vida. Honestamente acho triste me deparar com uma geração de meninas que busca freneticamente se comparar a um objeto a ser molestado. 

terça-feira, 21 de julho de 2015

O QUE DÓI É O NUNCA MAIS!



O QUE DÓI É O NUNCA MAIS!

“Quando a gente tenta de toda a maneira dele se guardar, sentimento ilhado, morto,e amordaçado volta a incomodar”
Fagner

Suely Pavan Zanella

Estão querendo patologizar o luto. Torná-lo mais curto, e menos dolorido. E desta forma fazer com que a pessoa enlutada possa encarar a vida prática com mais rapidez. “Seguir em frente” parece ser o lema atual, como se fossemos máquinas dispostas a fazer sempre o nosso trabalho, e como se a perda do outro, fosse a perda de uma peça dentro de uma engrenagem fabril. Não, não é assim!
O luto é um processo necessário, não tem duração definida, é preciso sentir a dor da perda do outro, e lembrar que só o tempo, apenas ele, trará a resignação para seguir em frente.  A dor não vivida pelo luto, em função da morte de alguém querido, é muito diferente dos diferentes lutos que vivemos na vida. E olha que na vida temos vários lutos: nossa infância, juventude, trabalhos e amores.  
A dor do luto na morte, porém é diferente, ela representa a ausência física e real do outro. É a dor do nunca mais. Nunca mais o teremos sentado à mesa nos jantares familiares. Colocaremos por distração às vezes, um prato a mais, e só depois lembraremos que a pessoa amada não está mais lá. Nunca mais ouviremos sua risada estridente ou seu silencio fugaz. Nunca mais ouviremos sua voz única, com aquele timbre e jeito de falar que só ela na Terra tem, ou tinha. Nunca mais veremos seu jeito de ficar irritada, ou tímida. Nunca mais ouviremos os passos peculiares no momento que chegava, partia ou perambulava pela casa.
O nunca mais é o que dói. Não há como superar este vazio rapidamente, nem ser forte, como muito insistem em dizer no momento das condolências. Aliás, não há muito o que dizer nestes momentos tão difíceis. Toda a tentativa de aplacar a dor alheia é em vão. Talvez o caminho, seja o abraço sincero, aquele que nos lembra de que ainda estamos vivos e entrelaçados de alguma forma pela humanidade do outro, que sente dor, e sabe que perder alguém não é fácil ao menos para quem é humano e não segue a ditadura da felicidade constante recheada de sorrisos plásticos, olhos tristes, tristezas acumuladas e depressão como consequência e mola motriz.
Não há pressa. Chore quando precisar e quiser. Não interrompa a sua dor. Lutos foram feitos para serem vividos, e nós os humanos, mesmo quando espiritualizados, precisamos vive-los. E cada um neste processo tem o seu tempo e sua forma de encarar esta dor, sendo que o pior caminho é tentar fugir dela ou encurtá-la. E as dores sempre doem. Deixe-as doer a seu tempo. Ser forte não é engolir dores, e sim lembrar-se que elas fazem parte dos seres humanos. Um dia com delicadeza e auto respeito a dor perde espaço na vida e fica apenas a saudade, marca indelével daqueles que cultivam suas cicatrizes como belas tatuagens.   
Ontem perdi minha prima. A saudade dói e muito. A morte prematura e repentina de alguém por si só é assustadora. Sábado ela estava viva e hoje não está mais. Se foi. Como assim? Um misto de sentimentos me possui: raiva; tristeza; saudade; medo da temporalidade da vida, que todos sabemos existir racionalmente, mas que quando nos afeta dói profundamente.
Do sábado para o domingo enquanto ela ainda estava em estado muito grave no hospital eu não conseguia parar de pensar nela. Não conseguia dormir. Lembrei-me dos momentos alegres. Só eles preenchiam minha cabeça e coração. Do baile de carnaval que formos juntas com seu então namorado inseparável,  e que depois se tornou seu marido. Das fantasias que ela usava quando jovem, dos vestidos curtos e das pernas bronzeadas. Do sorriso largo que lhe preenchia o olhar.  Do seu jeito alegre de contar os fatos, que um dia em minha casa de tanto chorar de rir fiquei sem ar e com o rosto todo borrado de rímel. De sua voz forte e firme de professora. Que falta ela fará, e já faz!
Nossa convivência não era diária e nem constante. A vida se encarrega de fazer que com o tempo e a maturidade cada um de nós, unidos na infância, cuidem de suas vidas e novas famílias na maturidade e sigam diferentes caminhos. Mas este fato não significa rompimento dos laços de afeto de outrora.  
Ela fará falta, muita falta.   Não há como negar e muito menos deixar de sentir.

“...Um menino caminha e caminhando chega no muro
E ali logo em frente, a esperar pela gente, o futuro está.
E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar,
Não tem tempo nem piedade, nem tem hora de chegar.
Sem pedir licença muda nossa vida, depois convida a rir ou chorar.
 Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá.
O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar.
Vamos todos numa linda passarela
De uma aquarela que um dia, enfim, descolorirá...”
Toquinho