segunda-feira, 20 de maio de 2013

Virada Cultural. Tudo é Normal!



Virada Cultural. Tudo é Normal!
“Sério, eu queria uma Virada Educacional, com todos os artistas ensinando nas ruas, dando shows-palestras, Cursos-relâmpago de capacitação.”
Rosana Hermann Via Twitter


Suely Pavan Zanella

Ver crianças e jovens se drogando e bebendo na porta das escolas diariamente é normal. Nunca vi ninguém se importar ou intervir. Bebida é liberada e drogas idem!
Não sei por qual razão fazem a marcha da Maconha se vejo gente fumando nas ruas de São Paulo há muitos anos. A sociedade hipócrita é muito mais implicante com o cigarro do que com a bebida, a maconha, a cocaína ou o crack.  
Show que não tem droga, não é show. É normal, dizem as pessoas.  
Diversão é sinônimo de bebedeira. Ou você nunca prestou atenção às fotinhos do Facebook? Gente de qualquer classe social sempre portando uma bebida nas mãos!
Mas tudo é normal!
É cultural. Cultura para quem não sabe é: Sistema de ideias, conhecimentos, técnicas e artefatos, de padrões de comportamento e atitudes que caracteriza uma determinada sociedade. (Fonte: Dicionário Michaelis)
Portanto, a cultura da bebedeira, do uso de drogas em eventos públicos é normal, e nenhum espanto deveria causar.
Por qual razão aumentou a Aids entre os jovens e adolescentes? Perguntam-se os entendidos no assunto. Ué, porque bebem e se drogam como loucos e depois transam com qualquer um. Ou será que estes estudiosos nunca foram aos banheiros de bares?  
Ontem ao ler centenas de comentários de jovens dizendo que a Virada Cultural ou Criminal não passou de um evento cheio de gente drogada, sexo com qualquer um, gente deitada na rua de tanto beber, atos e mais atos de violência e vandalismos não noticiados, mas plenamente acessíveis no Twitter, restou-me um resquício de esperança.
Afinal, escrevo sobre isto há anos, e ninguém parece se importar muito com o futuro da nação. São pais e mães cegos, e que não percebem o estado geral dos filhos após este e outros eventos relacionados a finais de semana regados a drogas e bebedeiras. Quem se importa?
Uma garota disse ontem, que apesar da presença de policiais, os mesmos não se importavam e mandavam ligar para 190, mesmo quando havia vítimas ensanguentadas ou na presença de brigas. Acho que a polícia já se cansou de ter que funcionar como uma espécie de babá para uma sociedade que só sabe se entorpecer e vê nestes eventos públicos ou não uma grande oportunidade de botar o pé na jaca.
O que estes adolescentes e jovens aprendem na escola?
Será que os professores também são omissos. Eu ministrava aulas num MBA e fiquei sabendo pelos meus alunos que com o consentimento dos professores eles se evadiam para o bar da frente e mesmo assim recebiam presença na segunda parte da aula. Omissos? Sem dúvida alguma. Da minha parte informei logo de cara que aquele que não ficasse na aula receberia falta. E todos ficaram principalmente porque gostavam. Um deles me disse: Sua aula é boa, muito boa, foi a única professora que o grupo todo não tive vontade de ir ao bar.
Falam e falam de limites, mas na hora de dar são coniventes e omissos.
Mas quem se importa com nossa juventude?
Este bando de gente perdida (não a maioria é claro).
Coincidentemente neste final de semana assisti a um documentário sobre 1968. Nele milhões de jovens, jornalistas, clérigos e artistas estavam reunidos contra a Ditadura Militar. E hoje em dia?
Marcha da Maconha, universitários brigando pelo direito de fazer orgias ou homens usarem saias. Festas universitárias regadas a bebidas e drogas nos pátios das faculdades. E quem se importa?
É normal, dizem os omissos sempre de plantão.
Quem se importa e não acha normal, se indigna e pensa: Há algo errado que ninguém quer ver por qual razão?
A cultura é esta, é preciso transformá-la.
E depois não entendem por qual razão a criminalidade cresce a olhos vistos.
Até os artistas presentes a grandes eventos parecem se fazer de cegos, seja na micaretas, ou num evento como o da Virada Cultural. O único a se importar com a massa e não apenas com um político assaltado foi o Mano Brown que chamou a atenção para o vandalismo: 'O que vi ontem no Centro está longe de ser evolução'.
A situação atual é preocupante. Mas quem se importa?
O governador de São Paulo diz que a criminalidade está controlada. E respondo a ele, como respondo a todos aqueles que negam a realidade: Então tá!
Policiais militares mal formados e sem o menor preparo para lidar com eventos deste tipo. Insegurança e medo instalados.
Mas quem se importa!
Ganha mais IBOPE e leitores quem fala da Angelina Joli, ou da novela das oito. Quem se importa com o futuro da nação?
O saldo da Virada Cultural foi: 1.800 pessoas atendidas pelo Samu por problemas relacionados ao consumo de álcool e drogas; 2 pessoas mortas (uma assassinada e outra por overdoses); 5 baleados; 6 esfaqueados; roubos; assaltos e arrastões.
Os passivos de plantão e interessados unicamente no seu umbigo dirão: Mas isto é normal, num evento deste porte!
Então tá!
Falar o quê? Continue compartilhando bobagens e dando RT nas obviedades.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

EM NOME DA BELEZA



EM NOME DA BELEZA
Suely Pavan Zanella
 
Fico impressionada com a quantidade de coisas, em geral absurdas, que as pessoas fazem em nome da beleza.
Já foi o tempo em que para ficar bonita bastava só um batonzinho para sair na rua, como fazia a minha mãe, dona de uma pele invejável. O segredo dela: Só uso sabonete.
Não me lembro da minha mãe usando um creme sequer. E muito menos balanceando a alimentação. Sempre comeu de tudo um pouco.
Particularmente acredito que o segredo de tudo na vida é não exagerar em nada.
E tenho certa ojeriza a mulheres que durante a refeição ficam falando de dietas e que terão que correr ou malhar muito na segunda-feira para perder as calorias de um final de semana. Isto me cheira a obsessão.
Há gente que faz tanto pela beleza e juventude eterna que é capaz de ingerir e até aplicar coisas estranhas e proibidas. Lembro-me de uma moça que conheci que toda a semana ia a uma clínica caríssima aplicar um soro milagroso e anos depois teve um teve problema de fígado. E agora, o caso do cantor baiano Netinho, que sempre valorizou a musculação ser vítima de anabolizantes.
Sabemos que nem todos os médicos seguem os ditames do Conselho Federal de Medicina, e alguns são capazes de seguir métodos duvidosos e não reconhecidos a serem aplicados junto aos seus pacientes ávidos por novidades vinculadas à beleza eterna.   
Sem contar o número cada vez maior de mulheres mortas em mesas de cirurgia plástica. A obsessão pela beleza é tanta que elas nem chegam a pesquisar a competência dos cirurgiões e muito menos se o preço “mais barato” cobrado por eles não é um passaporte para a morte.
Em nome da beleza a cada dia mais atrocidades são cometidas.
Além dos procedimentos cirúrgicos há também os estéticos como, por exemplo, aplicações injetáveis de botox e ácido hialurônico. Já vi gente que de tanto aplicar ácido nos lábio ficou parecendo a Margarida, namorada do Pato Donald.
Outras que de tanto botox ficaram sem expressão alguma. Uma certa apresentadora de TV aos 20 e poucos anos aplicava botox de seis em seis meses. Outro dia vendo o jornal na qual ela é ancora fiquei impressionada como sua aparência envelhecida. Acho que ela não tem nem sequer 30 anos. O que adiantou tanto botox?
Ou seja, aplicações em exagero podem ter efeito contrário.
E o pior disto é a falta de singularidade. Pessoas que malham em academias têm corpos iguais. Plásticas exageradas deixam as pessoas plastificadas e com o mesmo rosto e corpo. Dentes clareados ao exagero lembram dentaduras de azulejo branco de cozinha.
O resultado final é gente uniforme, parecida e igual. E não existe coisa mais antibeleza do que a uniformidade.
Medo de envelhecer, medo de perder o marido para uma mulher mais jovem... Obsessão pela beleza denota insegurança em grau máximo. É como se a pessoa só tivesse este atrativo e com o passar dos anos descobre que a beleza não durará para sempre, e aí faz o possível e o impossível para permanecer eternamente jovem. Parceiros que só se interessam por homens ou mulheres bonitos também são inseguros e querem desfilar troféus por aí.
Portanto, a chave da beleza e da juventude chama-se segurança interna. Quem não se segura ou se gerente vive buscando novidades no mercado. Busca fora o que não é capaz de encontrar dentro de si.
Cuidar-se sem exageros é bom e saudável. Ter consciência que após os 25 anos todos envelhecem denota saúde mental madura e vivaz.
O segredo da beleza é moderação sempre, até mesmo com a moderação, como dizem os franceses.  E o da juventude é não amargar com o passar do tempo. Cultivar a alegria, a criatividade e dançar conforme a música. E curtir o tempo atual, aliás, o único que existe.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

MÃES SEM FILHOS




 O filho de Débora, fundadora do movimento Mães de Maio, foi assassinado aos 29 anos

Suely Pavan Zanella
Um filho que perde a sua mãe fica órfão. Uma mulher que perde o marido é chamada de viúva. Mas que nome dar a uma mãe que perde o seu filho?
Não há nome. Há somente dor.
É quase antinatural imaginar uma mãe sem o filho. Ela continuará sendo mãe de um filho morto ou desaparecido. E pelo resto da vida carregará esta dor que de tão antinatural tem um luto eterno, uma ferida que raramente cicatrizará.
Não há como aplacar a dor destas mães. E não é à toa que normalmente elas se engajam em alguma causa para continuar vivendo e dar sentido à própria vida. Se assim não fosse como encarar o quarto vazio do filho (a) morto? Ou manter a esperança que um dia o (a) filho (a) desaparecido (a) simplesmente abra a porta e a vida volte ao normal?
O Movimento Mães de Maio foi criado com o objetivo de exigir justiça aos filhos que foram executados, embora inocentes, na cidade de São Paulo em 2006. Eles não eram bandidos e foram mortos injustamente pela polícia durante o duelo entre o PCC (Primeiro Comando da Capital) e PM (Polícia Militar).  Hoje este movimento é engrossado por outras mães que tiveram os filhos normalmente negros e pobres mortos pela polícia. A criação deste movimento foi a única maneira que estas mães encontraram para lidar com a dor relativa à morte abrupta e injusta de seus filhos.
Assim também agiu Sandra Moreno que criou no Facebook a página Pessoas Desaparecidas. Ela teve a filha Ana Paula Moreno Germano desaparecida na cidade de Carapicuiba no dia 03/09/2009. Sandra cansada do pouco caso e da falta de investigação por parte dos Poderes Públicos criou um abaixo assinado (http://www.abaixoassinadobrasil.com.br/site/assine/) que ainda necessita de mais de um milhão de assinaturas para chegar ao Congresso Nacional visando a mudança do procedimento investigatório após a confecção do Boletim de Ocorrência. Hoje familiares de pessoas desaparecidas ficam normalmente sem respostas, pois o procedimento é apenas burocrático e ineficaz.
Buscando leis mais duras para adolescentes infratores e a redução da maioridade penal também foram às ruas centenas de mães paulistanas que perderam os filhos de forma idiota em função de latrocínios cometidos principalmente por menores. Latrocínios não efetuados em função da pobreza, mas sim para roubar o status de celulares, carros e manter o vício em drogas.
Mães que passado o efeito trágico mostrado na TV poucos se lembram, preferindo-se ocupar das “boas coisas da sua vida”. E esta falta de lembrança e omissão faz com que crimes desta natureza aumentem vertiginosamente.
Depois de estudar o Universo Feminino por mais de dez anos aprendi que as mulheres têm o poder de mudar o mundo. É delas também a capacidade de mudar a “polis”, a cidade. São elas que pensam no todo, no belo e no harmônico. Se unidas podem pela força que têm (meu trabalho inicial chamava-se A Força do Universo Feminino) transformar. É delas a capacidade de gerar a vida, e jamais ver a vida simplesmente tirada ou desaparecida da forma que vemos hoje.
Mas é requisito fundamental que estejam juntas por uma causa.
Aprendi também nestes anos de estudo que mulheres acreditam no poder de algo invisível, que alguns chamam de fé.
Portanto, peço a você mulher e mãe, que neste domingo pense com o coração nestas mulheres independentemente da sua religião.
Tente imaginar a dor delas neste dia, e faça uma oração ou vibração por elas. Pense também em quantas coisas precisam mudar para que os filhos de todas as mulheres permaneçam vivos. Lembre-se de quanto hoje todas nós, mulheres e mães vivemos sobressaltadas e com medo. Peçamos em silêncio pela justiça de todos.
Lembremos-nos de um período chamado ginecolátrico, que foi praticamente banido da história contada pelos homens (os patriarcas), em que havia a paz, a harmonia e o convívio com as diferenças de qualquer ordem.
Imaginemos por um minuto que a Grande Mãe do Universo que é ao mesmo tempo amorosa e combativa está presente dando força a todas as mães. Não a força que omite a dor ou o luto, mas a força que batalha literalmente por um mundo melhor e mais justo para todos.
Hitler entendeu a Universo Feminino ao contrário e gerou um massacre. A violência é o oposto do feminino sagrado ou essencial. Quando uma cidade, estado ou país têm altos índices de violência isto significa distanciamento da força motriz feminina. Ela precisa ser resgatada. Onde o feminino não está presente o sangue se faz derramar.
Mulheres juntas de forma física ou não podem mudar este mundo. Acredite!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

DE CONVERSA EM CONVERSA



DE CONVERSA EM CONVERSA

Suely Pavan Zanella
“Como se chamam duas pessoas que ficam frente a frente em um restaurante sem nada falar? – Gente casada.”
Vi este diálogo acontecer em um filme bem antigo. Embora tenha esquecido o nome do filme eu sempre me lembro desta frase, principalmente quando vou a bares e restaurantes. E é impressionante o número de pessoas, e não só casadas, que se sentam em um restaurante, mal se olhem, e são incapazes de conversar.
Qualquer relacionamento se tece através de conversas. E é conversando que a gente se entende.
Hoje em dia existem casais que até se beijam, mas são incapazes de trocar um única palavra durante o tempo que permanecem juntos em lugares públicos. A gente percebe esta solidão a dois, quando o casal está sozinho e não diluído em meio a amigos ou grupos de casais.
Tem gente que diz que o beijo é o termômetro do amor, eu não concordo. Eu acho que são as conversas. Quando um casal perde o ânimo, a vontade de conversar, significa que o vínculo entre eles está comprometido.
Beijar, hoje em dia, não é termômetro para absolutamente nada. Quanta gente em uma única balada beija tanto e tanta gente, mas é incapaz de trocar uma palavra, de se permitir conhecer o outro?
Trocar saliva é fácil, quero ver saber travar um papo!
É a conversa que nos aproxima ou afasta.
A mídia acabou com o conceito de conversa quando banalizou a sigla “D.R.” (discutir a relação). Como se as relações não fossem feitas unicamente de conversas. Conversar é conhecer o outro, se afetar pelo que ele diz, e também se mostrar.
Outro dia ouvi um jurista da área criminal dizendo que no Brasil precisa urgentemente dar à população um curso de civilização, já que as pessoas hoje resolvem as coisas na base da agressão, da bordoada.
Fiquei pensando o que seria um curso de civilização, e me veio imediatamente à mente o diálogo, a conversa.
Já reparou como hoje as pessoas estão agressivas?
Elas não conversam e a falta de conversa afeta a civilização e consequentemente a humanidade.
Quantas pessoas morrem diariamente porque engoliram coisas que poderiam ter dito?
A palavra é humana e ela nos humaniza.
Discursos agressivos só servem para afastar as pessoas. Podemos dizer a nossa opinião, dialogar com o outro, sem ofendê-lo ou julgá-lo.
Reaprender a conversar é um grande desafio nos tempos atuais, que nos conectam, mas não necessariamente nos vinculam. E a qualidade de um vínculo é medida através das conversas que se têm.
Casais que não conversam se afastam a cada dia. E eles são apenas um exemplo do que a falta de dialogo pode ocasionar.
Converse para conhecer. Converse para se deixar conhecer.
E conversar é assim: cara a cara, olho no olho.
Requer inteireza. A maioria das coisas que escrevemos por e-mail ou através de comentários nas redes sociais não diríamos se estivéssemos pessoalmente e inteiros frente à frente conversando no mesmo tempo e horário com alguém.
Conversar exige coragem, coração aberto, e desejo real de formar um vínculo. Vínculos são ligações humanas.