DE VOLTA AOS TEMPOS DA SENZALA:
SOBRE O TEXTO “VIAGEM LEVANDO BABÁS”
Suely Pavan Zanella
Como se não bastasse o
artigo da Danusa Leão que comentei aqui, sob o título de “Riquismo
à Brasileira”, hoje me deparo com outra “pérola” lamentável, aquele que
discrimina funcionários. E que é típica de uma classe media alta decadente que
só quer lucrar através da exploração de seus empregados.
O texto "Viagem levando babás" além de mal escrito
contém comentários assustadores e que devem perambular a cabeça de muitas
patroas que querem ter uma babá, mas as tratam de forma discriminatória.
Tem babá quem pode pagar.
Ter uma babá para acompanhar em viagens e tratá-la com economia e como um ser
de segunda categoria é no mínimo desumano, para não dizer cruel.
O texto contido no blog: http://viajandocomfilhos.com.br/dicas/viagem-levando-babas/
é recheado de discriminação. Se vocês tiverem a sorte de abrir o tal blog ( ele
vive fora do ar) observe o rosto da babá nas fotos.
Bom, leia o texto e tire
você mesmo as suas conclusões. A autoria é de Valeria Rios, que até o presente
momento eu não consegui descobrir quem é!
“Ao contrário da Raquel, não sou totalmente independente das babás. A minha
irmã quase sempre viajou sozinha com as suas três filhas.
Naquela época eu achava que ela já era meio doida, e agora, com um menino de
quase dois anos e um bebê acho que ela era mesmo completamente louca.
Na minha opinião, em algumas ocasiões as babás são extremamente úteis, em
outras são dispensáveis e em outras ainda são item de “terceira” necessidade.
Enfim, acho que se bem ensinadas, elas podem quebrar um galho danado e nem
sempre vão representar um novo integrante à família, porque pra mim família é
pai, mãe e filhos e acho no mínimo estranho aqueles que tratam a babá como
parte da família (desculpe-me quem pensa o contrário).
Baseada na minha pequena experiência de algumas viagens com babás, pensei em
escrever este post porque minhas amigas sempre me perguntam como fazer, como
proceder, o que pode, o que não pode e etc…
Bom, a primeira vez que levei a minha foi a uma viagem pra São Paulo, ia
tirar o visto pros Estados Unidos do Luiz Gustavo e não queria deixar ele em BH
pq estava amamentando, o meu marido queria sair a noite com os amigos em São
Paulo e também pq até hj não consigo viajar sem meu pequeno e nem meu marido me
cobra, graças a Deus. Enfim, um dia a minha babá comentou que uma amiga tinha
viajado de avião, sonhando alto, então, falei com o Gustavo e achamos passagens
super baratas pra passar um final de semana estendido em São Paulo. Ela
delirou, claro, na ida no avião perguntou se podia aceitar o lanche, se tinha
banheiro, se ela podia escolher aonde sentar, enfim, prefiro assim do que as
folgadas que vão logo pedindo refrigerante ou sei lá o que e ainda adoram falar
suas experiências pessoais de viagens ao exterior.
A estréia da minha babá foi logo no Fasano (
www.hotelfasano.com.br) em um quarto
conjugado espetacular, era caro, óbvio, mas o Emiliano (
www.emiliano.com.br) estava me obrigando
a pegar dois quartos, o que ficaria muito mais caro. Enfim, deixei claro pra
ela que aquele hotel era caríssimo, então não era pra ficar pegando coisas do
frigobar e etc, até porque dou muito valor pro meu dinheiro e não quero uma babá
pedindo
room service sem a minha autorização, o que acontece direto
por ai.
O primeiro ponto que deve ser deixado claro em uma viagem com babás é este,
ela não é obrigada a saber o que pode ou o que não pode, o que vc gosta e o que
vc não gosta, então facilite a vida dela e fale tudo, nos mínimos detalhes, uma
das inúmeras lições que a Raquel me deu sobre como lidar com babás é que elas
não nascem sabendo, não são obrigadas a saber como vc gosta ou o que vc quer
que elas façam, então seja clara, fale com jeito e educação, mas seja clara em
todos os aspectos. Então na minha primeira viagem com ela eu falei que as
coisas no frigobar são sempre muito caras então eu só pego em caso extremo, meu
pai me ensinou assim e é assim que eu quero que meu filho aprenda, só pode
pegar água quando eu esqueço de comprar na rua, meu marido não gosta que eu
seja tão pão dura, mas eu não estou nem ai.
Segundo ponto, acho que não tem problema algum vc leva-la pra comer no mesmo
restaurante ou ate leva-la em algum lugar mais simples e depois vcs irem a
algum lugar caro demais, acho que ai impera o bom senso. Por exemplo, o Gustavo
não gosta que a babá fique sentada na frente dele ouvindo nossas conversas
enquanto ele toma um vinho, então o que eu faço, se ela vai comer no mesmo restaurante,
enquanto ele escolhe o vinho eu mostro o cardápio pra ela, ajudo a escolher,
pergunto tipo assim, hj vc quer carne ou peixe e já peço, mesmo porque o
Guto não fica sentado mais que 10 minutos, já que nesta primeira viagem ele
estava com 10 meses, então enquanto ela come o Gustavo passeia com o Guto
enquanto eu faço companhia pra ela e depois trocamos, ai sim a gente pede o
nosso e etc…Em outras oportunidades em que vc quer que ela coma antes porque o
restaurante é caro ou porque vão outros casais vc pode dizer problemas, tipo
assim, “hj vamos a um restaurante com a comidas muito diferentes que vai
demorar ou muito caro e etc, então vamos passar pra vc comer em algum lugar, vc
prefere pizza ou Mc Donals”, porque, lembre-se ela está trabalhando.
Vale também registrar a minha opinião sobre doces e guloseimas esporádicas
em geral: sou alucinada por doces, sempre fui e acho um absurdo quem fica
regrando a babá de comer doces, picolés, enfim, tudo de gostoso que vc vai
oferecer pro seu filho, então pra mim, na praia, ou no Minas se seu filho pedir
picolé acho questão de educação e gentileza vc oferecer pra ela também, da
mesma forma se pararem pra tomar um sorvete, comprar uma torta em alguma
doceria ou etc, pq acho que deixar a pessoa que cuida do seu filho aguada é
maldade. Ressalte-se que esta é a minha opinião, tem gente que não vê problema
nenhum em comprar algo só pra criança, ai vai da opinião de cada um.
A segunda viagem que fizemos levando a babá fomos pro Rio de Janeiro e levei
mais porque ela me falou um dia que o sonho da vida dela era conhecer o Rio e,
como eu já estava grávida de quatro meses, achei que seria uma boa idéia sentar
na praia e ler revista, já que um mês depois iríamos pra Miami só nós três e
foi ótimo. Nesta segunda viagem ela ficou encantada, me mandou mensagem quando
chegamos agradecendo e eu acho bonitinho a pessoa dar valor pq barato não sai
uma viagem dessas pra gente. Então , mais uma vez fica a dica: deixe tudo
claro, pra não se arrepender depois, por exemplo, como ela vai pra praia, dê
todas as roupas que ela vai usar, inclusive o maiô da praia, pq ela não é
obrigada a ter todas as roupas e vc ainda gostar do gosto dela. Na minha
viagem do Rio, por exemplo, falei tudo o que ela devia usar, até a mala eu que
dei, e dei um maiô maior, mais comportado mas mesmo assim ela ficou
constrangida de usar e colocou um short preto por cima que estava furado, ai
claro, meu marido falou na hora, no meio da praia, pq vc deu um short furado
pra ela usar na praia? Eu mereço, nada passa sem ele ver, mas ficou a lição, na
terceira viagem dei um short também bonitinho que combinava com o Maiô e pedi
pra ela experimentar antes pra ver se ela gostava.
Achei que no Rio de Janeiro foi muito útil a presença dela, primeiro pra
andar atrás do Luiz Gustavo na areia, pq ele gosta de ver as coisas então eu
podia sentar, ver revista e ficava olhando ele ir e vir da beirada no mar;
outra coisa é fazer castelo na areia, a minha babá é bem nova, acho isso
fundamental pq criança gosta de brincar e babá que não brinca, não senta na
areia e faz castelo pra mim não serve e as vezes eu não gosto de ficar toda
suja de areia. No período da tarde então que ele dormia por três horas eu não
precisava ficar dentro do quarto e ficava na piscina com o Gustavo e vendo a vista
e a noite então, ela foi indispensável pq o Guto não dorme bem no carrinho,
acorda de 30 em 30 minutos então a gente podia sair tranquilos e eles ficavam
no hotel.
Quarta dica: na hora do café da manha peça a ela pra descer primeiro e comer
tudo o que quiser no bufê, inclusive eu falo pra comer bastante pq está
incluído e o almoço vai ser tarde, pra ela não ficar com fome muito cedo,
então, qd eu acordava, eu e o Gustavo ficávamos com o Guto no quarto, ela
descia e depois a gente se encontrava no café da manha e ela ia dando um mamão
ou iogurte pro Guto enquanto eu e o Gustavo tomávamos café. Detalhe: pq tem uma
coisa que eu não suporto ver e vejo direto é a mãe se matando correndo atrás do
menino colocando abaixo o restaurante enquanto a madame da babá está lá
sentada, comendo calmamente, e conversando com o marido. O meu não gosta e eu
também não, então ela come primeiro ou depois, nunca junto pq criança não fica
parada olhando pro tempo, eles querem andar e também precisam comer algo no
café da manhã.
Quinta dica: sempre leve biscoitos, chocolates pra ela também porque
facilita muito à noite, vc já vai ter que levar pro seu filho mesmo alguma
coisa ai já leva pra ela junto, eu sempre quando saio a noite pergunto se ela
quer que eu traga algo pra ela, tipo um sanduiche ou algum lanche.
Uma outra experiência que achei bem interessante também foi contratar uma
babá local. Em uma oportunidade quando fomos pra um casamento em Gramado eu
decidi levar o meu filho de última hora e não tinha reservado hotel pra minha
babá e achei super interessante a idéia de contratar uma local. O ideal nestes
casos é que ela seja indicada pelo próprio hotel e de responsabilidade dele e
que seja a mesma todos os dias da viagem. No meu caso, nesta viagem minhas
sobrinhas foram também então o meu filho já tinha diversão garantida, então o
que ele precisava mesmo era uma pessoa pra ficar olhando ele não se machucar
enquanto brincava com as primas e quando ele dormisse a babá ficaria olhando e
me avisaria na festa se ele acordasse querendo mamar. A babá que contratei era
super bem educada, falava super direitinho e tinha o maior jeito com crianças
então esta minha primeira experiência foi super positiva.
Como sexta e última dica: seja sincera, fale na hora mas com muita educação
se vc não gostou quando ela pediu um prato tal em um restaurante, quando ficou
sentada na única cadeira disponível na praia, ou quando vc teve que correr
atrás do seu filho enquanto ela ficou horas sentada tomando café, porque é
importante lembrar que mesmo cuidando do bem mais valioso que vc possui ela
está trabalhando e em uma relação de trabalho os patrões podem chamar a atenção
dos funcionários sem que isso represente um grande problema ou uma ofensa.
Mas tudo o que disse depende muuito da babá, pois algumas babás com muita
experiência podem proceder como faziam na família anterior onde trabalhavam, ou
estarem “mal acostumadas”e isso pode não ser adequado para sua família. Ou
seja, se a outra família dava um quarto exclusivo para a babá ou deixava a babá
sentar no restaurante e escolher entrada, prato principal, sobremesa, e até
cerveja no clube (como tenho visto), ela vai achar que na sua família também é
assim. Então mais uma vez repito que ser clara é essencial. Outra coisa é que
se a relação já estiver estremecida antes da viagem, qualquer coisa que a moça
fizer vai te irritar mais ainda pelo excesso de convivência e ao mesmo tempo
mesmo que esteja adorando sua babá na sua cidade após a viagem pode passar a
odia-la também pelo excesso de convivência.”
Nojo
e repúdio total de minha parte a este texto e principalmente a esta forma de
pensar que remete somente aos tempos da senzala.