segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

DE VOLTA AOS TEMPOS DA SENZALA: SOBRE O TEXTO “VIAGEM LEVANDO BABÁS”



DE VOLTA AOS TEMPOS DA SENZALA: SOBRE O TEXTO “VIAGEM LEVANDO BABÁS”

Suely Pavan Zanella
Como se não bastasse o artigo da Danusa Leão que comentei aqui, sob o título de “Riquismo à Brasileira”, hoje me deparo com outra “pérola” lamentável, aquele que discrimina funcionários. E que é típica de uma classe media alta decadente que só quer lucrar através da exploração de seus empregados.
O texto "Viagem levando babás" além de mal escrito contém comentários assustadores e que devem perambular a cabeça de muitas patroas que querem ter uma babá, mas as tratam de forma discriminatória.
Tem babá quem pode pagar. Ter uma babá para acompanhar em viagens e tratá-la com economia e como um ser de segunda categoria é no mínimo desumano, para não dizer cruel.
O texto contido no blog: http://viajandocomfilhos.com.br/dicas/viagem-levando-babas/ é recheado de discriminação. Se vocês tiverem a sorte de abrir o tal blog ( ele vive fora do ar) observe o rosto da babá nas fotos.
Bom, leia o texto e tire você mesmo as suas conclusões. A autoria é de Valeria Rios, que até o presente momento eu não consegui descobrir quem é!

“Ao contrário da Raquel, não sou totalmente independente das babás. A minha irmã quase sempre viajou sozinha com as suas três filhas.
Naquela época eu achava que ela já era meio doida, e agora, com um menino de quase dois anos e um bebê acho que ela era mesmo completamente louca.
Na minha opinião, em algumas ocasiões as babás são extremamente úteis, em outras são dispensáveis e em outras ainda são item de “terceira” necessidade. Enfim, acho que se bem ensinadas, elas podem quebrar um galho danado e nem sempre vão representar um novo integrante à família, porque pra mim família é pai, mãe e filhos e acho no mínimo estranho aqueles que tratam a babá como parte da família (desculpe-me quem pensa o contrário).
Baseada na minha pequena experiência de algumas viagens com babás, pensei em escrever este post porque minhas amigas sempre me perguntam como fazer, como proceder, o que pode, o que não pode e etc…
Bom, a primeira vez que levei a minha foi a uma viagem pra São Paulo, ia tirar o visto pros Estados Unidos do Luiz Gustavo e não queria deixar ele em BH pq estava amamentando, o meu marido queria sair a noite com os amigos em São Paulo e também pq até hj não consigo viajar sem meu pequeno e nem meu marido me cobra, graças a Deus. Enfim, um dia a minha babá comentou que uma amiga tinha viajado de avião, sonhando alto, então, falei com o Gustavo e achamos passagens super baratas pra passar um final de semana estendido em São Paulo. Ela delirou, claro, na ida no avião perguntou se podia aceitar o lanche, se tinha banheiro, se ela podia escolher aonde sentar, enfim, prefiro assim do que as folgadas que vão logo pedindo refrigerante ou sei lá o que e ainda adoram falar suas experiências pessoais de viagens ao exterior.
A estréia da minha babá foi logo no Fasano (www.hotelfasano.com.br) em um quarto conjugado espetacular, era caro, óbvio, mas o Emiliano (www.emiliano.com.br) estava me obrigando a pegar dois quartos, o que ficaria muito mais caro. Enfim, deixei claro pra ela que aquele hotel era caríssimo, então não era pra ficar pegando coisas do frigobar e etc, até porque dou muito valor pro meu dinheiro e não quero uma babá pedindo room service sem a minha autorização, o que acontece direto por ai.
O primeiro ponto que deve ser deixado claro em uma viagem com babás é este, ela não é obrigada a saber o que pode ou o que não pode, o que vc gosta e o que vc não gosta, então facilite a vida dela e fale tudo, nos mínimos detalhes, uma das inúmeras lições que a Raquel me deu sobre como lidar com babás é que elas não nascem sabendo, não são obrigadas a saber como vc gosta ou o que vc quer que elas façam, então seja clara, fale com jeito e educação, mas seja clara em todos os aspectos. Então na minha primeira viagem com ela eu falei que as coisas no frigobar são sempre muito caras então eu só pego em caso extremo, meu pai me ensinou assim e é assim que eu quero que meu filho aprenda, só pode pegar água quando eu esqueço de comprar na rua, meu marido não gosta que eu seja tão pão dura, mas eu não estou nem ai.
Segundo ponto, acho que não tem problema algum vc leva-la pra comer no mesmo restaurante ou ate leva-la em algum lugar mais simples e depois vcs irem a algum lugar caro demais, acho que ai impera o bom senso. Por exemplo, o Gustavo não gosta que a babá fique sentada na frente dele ouvindo nossas conversas enquanto ele toma um vinho, então o que eu faço, se ela vai comer no mesmo restaurante, enquanto ele escolhe o vinho eu mostro o cardápio pra ela, ajudo a escolher, pergunto tipo assim, hj vc quer carne ou peixe  e já peço, mesmo porque o Guto não fica sentado mais que 10 minutos, já que nesta primeira viagem ele estava com 10 meses, então enquanto ela come o Gustavo passeia com o Guto enquanto eu faço companhia pra ela e depois trocamos, ai sim a gente pede o nosso e etc…Em outras oportunidades em que vc quer que ela coma antes porque o restaurante é caro ou porque vão outros casais vc pode dizer problemas, tipo assim, “hj vamos a um restaurante com a comidas muito diferentes que vai demorar ou muito caro e etc, então vamos passar pra vc comer em algum lugar, vc prefere pizza ou Mc Donals”, porque, lembre-se ela está trabalhando.
Vale também registrar a minha opinião sobre doces e guloseimas esporádicas em geral: sou alucinada por doces, sempre fui e acho um absurdo quem fica regrando a babá de comer doces, picolés, enfim, tudo de gostoso que vc vai oferecer pro seu filho, então pra mim, na praia, ou no Minas se seu filho pedir picolé acho questão de educação e gentileza vc oferecer pra ela também, da mesma forma se pararem pra tomar um sorvete, comprar uma torta em alguma doceria ou etc, pq acho que deixar a pessoa que cuida do seu filho aguada é maldade. Ressalte-se que esta é a minha opinião, tem gente que não vê problema nenhum em comprar algo só pra criança, ai vai da opinião de cada um.
A segunda viagem que fizemos levando a babá fomos pro Rio de Janeiro e levei mais porque ela me falou um dia que o sonho da vida dela era conhecer o Rio e, como eu já estava grávida de quatro meses, achei que seria uma boa idéia sentar na praia e ler revista, já que um mês depois iríamos pra Miami só nós três e foi ótimo. Nesta segunda viagem ela ficou encantada, me mandou mensagem quando chegamos agradecendo e eu acho bonitinho a pessoa dar valor pq barato não sai uma viagem dessas pra gente. Então , mais uma vez fica a dica: deixe tudo claro, pra não se arrepender depois, por exemplo, como ela vai pra praia, dê todas as roupas que ela vai usar, inclusive o maiô da praia, pq ela não é obrigada a ter todas as roupas e vc ainda gostar do gosto dela.  Na minha viagem do Rio, por exemplo, falei tudo o que ela devia usar, até a mala eu que dei, e dei um maiô maior, mais comportado mas mesmo assim ela ficou constrangida de usar e colocou um short preto por cima que estava furado, ai claro, meu marido falou na hora, no meio da praia, pq vc deu um short furado pra ela usar na praia? Eu mereço, nada passa sem ele ver, mas ficou a lição, na terceira viagem dei um short também bonitinho que combinava com o Maiô e pedi pra ela experimentar antes pra ver se ela gostava.
Achei que no Rio de Janeiro foi muito útil a presença dela, primeiro pra andar atrás do Luiz Gustavo na areia, pq ele gosta de ver as coisas então eu podia sentar, ver revista e ficava olhando ele ir e vir da beirada no mar; outra coisa é fazer castelo na areia, a minha babá é bem nova, acho isso fundamental pq criança gosta de brincar e babá que não brinca, não senta na areia e faz castelo pra mim não serve e as vezes eu não gosto de ficar toda suja de areia. No período da tarde então que ele dormia por três horas eu não precisava ficar dentro do quarto e ficava na piscina com o Gustavo e vendo a vista e a noite então, ela foi indispensável pq o Guto não dorme bem no carrinho, acorda de 30 em 30 minutos então a gente podia sair tranquilos e eles ficavam no hotel.
Quarta dica: na hora do café da manha peça a ela pra descer primeiro e comer tudo o que quiser no bufê, inclusive eu falo pra comer bastante pq está incluído e o almoço vai ser tarde, pra ela não ficar com fome muito cedo, então, qd eu acordava, eu e o Gustavo ficávamos com o Guto no quarto, ela descia e depois a gente se encontrava no café da manha e ela ia dando um mamão ou iogurte pro Guto enquanto eu e o Gustavo tomávamos café. Detalhe: pq tem uma coisa que eu não suporto ver e vejo direto é a mãe se matando correndo atrás do menino colocando abaixo o restaurante enquanto a madame da babá está lá sentada, comendo calmamente, e conversando com o marido. O meu não gosta e eu também não, então ela come primeiro ou depois, nunca junto pq criança não fica parada olhando pro tempo, eles querem andar e também precisam comer algo no café da manhã.
Quinta dica: sempre leve biscoitos, chocolates pra ela também porque facilita muito à noite, vc já vai ter que levar pro seu filho mesmo alguma coisa ai já leva pra ela junto, eu sempre quando saio a noite pergunto se ela quer que eu traga algo pra ela, tipo um sanduiche ou algum lanche.
Uma outra experiência que achei bem interessante também foi contratar uma babá local. Em uma oportunidade quando fomos pra um casamento em Gramado eu decidi levar o meu filho de última hora e não tinha reservado hotel pra minha babá e achei super interessante a idéia de contratar uma local. O ideal nestes casos é que ela seja indicada pelo próprio hotel e de responsabilidade dele e que seja a mesma todos os dias da viagem. No meu caso, nesta viagem minhas sobrinhas foram também então o meu filho já tinha diversão garantida, então o que ele precisava mesmo era uma pessoa pra ficar olhando ele não se machucar enquanto brincava com as primas e quando ele dormisse a babá ficaria olhando e me avisaria na festa se ele acordasse querendo mamar. A babá que contratei era super bem educada, falava super direitinho e tinha o maior jeito com crianças então esta minha primeira experiência foi super positiva.
Como sexta e última dica: seja sincera, fale na hora mas com muita educação se vc não gostou quando ela pediu um prato tal em um restaurante, quando ficou sentada na única cadeira disponível na praia, ou quando vc teve que correr atrás do seu filho enquanto ela ficou horas sentada tomando café, porque é importante lembrar que mesmo cuidando do bem mais valioso que vc possui ela está trabalhando e em uma relação de trabalho os patrões podem chamar a atenção dos funcionários sem que isso represente um grande problema ou uma ofensa.
Mas tudo o que disse depende muuito da babá, pois algumas babás com muita experiência podem proceder como faziam na família anterior onde trabalhavam, ou estarem “mal acostumadas”e isso pode não ser adequado para sua família. Ou seja, se a outra família dava um quarto exclusivo para a babá ou deixava a babá sentar no restaurante e escolher entrada, prato principal, sobremesa, e até cerveja no clube (como tenho visto), ela vai achar que na sua família também é assim. Então mais uma vez repito que ser clara é essencial. Outra coisa é que se a relação já estiver estremecida antes da viagem, qualquer coisa que a moça fizer vai te irritar mais ainda pelo excesso de convivência e ao mesmo tempo mesmo que esteja adorando sua babá na sua cidade após a viagem pode passar a odia-la também pelo excesso de convivência.”
Nojo e repúdio total de minha parte a este texto e principalmente a esta forma de pensar que remete somente aos tempos da senzala.

Um comentário:

Eduardo Covas disse...

Não acredito que existem pessoas assim.Li esse post mas o bom senso fez a dondoca retirar a "matéria" do ar.Mas eu salvei em outro lugar ta ai!

http://pt.scribd.com/doc/120535924/Viajando-Com-Filhos