segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

AS FAMÍLIAS DOS USUÁRIOS DE DROGAS



AS FAMÍLIAS DOS USUÁRIOS DE DROGAS 

Suely Pavan Zanella
Hoje começa em São Paulo a internação involuntária dos usuários de drogas, que é feita por solicitação da família e avaliada por um promotor em 72 duas horas. Esta prática é bem comum nos Estados Unidos e Europa. Ela difere da internação compulsória que é feita por médicos, independentemente da opinião ou solicitação da família.
Ou seja, na internação involuntária o foco é a demanda familiar.
Há pessoas que são contra este tipo de internação e outras a favor.
O próprio Conselho Regional de Psicologia S.P. é contra e hoje protesta em frente ao Cratod (Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas do Estado). Sua eficácia é, segundo alguns especialistas, rara e o índice de recuperação é de apenas 2%.
Alguns desconfiam também da medida adotada pelo Governador de São Paulo, chamando-a de higienista como foi há um ano quando usuários de crack foram retirados à força pela polícia e hoje estão instalados tranquilamente em diferentes bairros da cidade de São Paulo.
Outros acreditam que se deva cortar o mal pela raiz, ou seja, não permitindo que o crack e outras drogas cheguem às fronteiras brasileiras.
As questões são múltiplas e os interesses diversos. E nesta questão parece que cada um só olha o seu próprio lado.
Este texto não tem o objetivo de dizer que o usuário de crack deva ser ou não internado à força, mas sim lançar um olhar empático sobre aqueles que parecem ser esquecidos, e que sofrem diretamente os efeitos de ter um filho, uma conjugue ou um amigo usuário desta maldita droga.
Para lê-lo é preciso ser empático, ou seja, ser capaz de colocar-se no lugar do outro.
Quantas mães em São Paulo andam atrás de seus filhos, desesperadas e sem saber o que fazer com eles?
Crianças, adolescentes e adultos de diferentes classes sociais que somem de casa e vão atrás da droga. O que fazem estes pais?
Temos a errada mania de julgá-los dizendo que a culpa é deles. Ou então de generalizar achando que o uso do crack está ligado a condições precárias de vida. O crack está presente na pobreza, na classe média e na riqueza. Entrar nele é uma opção, porém sair dele é difícil, pois seus efeitos são dilacerantes, e raramente o usuário por vontade própria consegue fazê-lo. E eu fico muito triste quando vejo usuários pelas ruas, como se fossem zumbis.
As famílias dos usuários também ficam preocupadas com o envolvimento dos filhos com a criminalidade. Na semana passada um motorista foi simplesmente executado por um usuário de crack. Após matar este motorista ele assaltou outro carro, levou o notebook do motorista e o vendeu por três pedras.
São comuns também não só as agressões físicas aos familiares como os incontáveis casos de assassinato da família. Basta você procurar no Google e verá quantos pais e parentes foram aniquilados por usuários de crack.
Neste meu exercício empático a conclusão que chego é que não deve ser nada fácil ser mãe ou pai de um usuário de crack. Talvez uma pessoa rica tenha condições de internar um filho contra a sua vontade, mas como fazer e a quem procurar se você não tem dinheiro para tal? Este tipo de clínica costuma ser muito cara!
Como escrevi no início do texto honestamente não sei se a internação involuntária funciona ou não. Só sei que é uma esperança e talvez a única e última para os familiares destas pessoas.
Se usar drogas é uma opção para algumas pessoas e sair delas também o é, talvez tenhamos que adotar uma nova postura: a do bem comum, ao invés de pensar apenas nos direitos dos usuários.
Quando vejo pensamentos tão lineares me pergunto: E os afetados o que devem ou podem fazer?
A opção de usar drogas pode ser uma decisão pessoal, mas não sejamos cegos ao imaginar que ela afeta apenas aos usuários. E as famílias? E nós a sociedade que não vemos cura para este mal e somos diariamente obrigados a conviver com ele através de ações violentas e impensadas por parte dos usuários?
Outro dia li um depoimento de um ex-usuário de crack que passou sobre o corpo da própria mãe morta vítima de um enfarto fulminante quando acompanhava o filho para comprar crack. Ela não sabia mais o que fazer e para ficar como filho resolveu ir junto com ele em todos os lugares.
Somos responsáveis por nossas escolhas e também pela forma como a mesma afeta os outros.
A lei antifumo, por exemplo, proibiu o uso do cigarro em lugares públicos e fechados e ganhou adesão da população criando uma espécie de ojeriza social contra os fumantes. Por qual razão somos tão condescendentes com usuários de drogas que prejudicam suas famílias e toda a sociedade com a suas escolhas?

Um comentário:

cesar roberto disse...

posso ajudar essas familias.
acesse: blogtdrogas vivendo nas trevas