segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

TMIDEZ



TIMIDEZ

Suely Pavan Zanella
Eles falam pouco, são reservados, pensam muito e são comedidos. Seu comportamento exterior chama-se introversão: Voltados para dentro.
Num mundo como o nosso que valoriza por demais os extrovertidos os tímidos sofrem.
E em muitos lugares são vistos até como improdutivos. Enquanto o extrovertido faz um barulho danado quando trabalham, o tímido é contido, fica na dele. E quando você menos espera ele terminou o que tinha que fazer, sem alarde algum. O tímido se concentra.
Os maiores gênios da humanidade eram tímidos: Darwin, Chopin, Gandhi, Eistein, J.K Rowling, Steven Spilberg e Larry Page do Google (Fonte: Revista Mente e Cérebro).  
Bill Gates, um dos fundadores da Microsoft era tão tímido que quando adolescente sua mãe se preocupava em vê-lo tanto tempo enfiado numa garagem ouvindo os Beatles enquanto mexia com uma máquina esquisita.
Se os tímidos são geniais e produtivos por qual razão as empresas, por exemplo, valorizam tanto os extrovertidos?
Lembro-me de uma vez em que fui fazer junto com uma colega um evento em uma emrpesa e numa determinada atividade o grupo se dividiu em dois, e espontaneamente os tímidos ficaram juntos com os tímidos e os extrovertidos junto com os extrovertidos. A tarefa dada a ambos era a mesma, porém o grupo dos extrovertidos discutia, ria e falava em voz alta. Ao passo que os tímidos falavam baixo e um de cada vez no grupo.
Ao terminar o trabalho minha colega ressaltou a qualidade dos extrovertidos dizendo que o grupo 2 (o dos tímidos) tinha que aprender a ser: motivado; alegre; entusiasmado. Ou seja, aquele papo que todos nós estamos acostumados a ver em programas do tipo “O Aprendiz”, nas leituras empresariais, e muito nas empresas, nos tais processos seletivos mirabolantes!
Porém, ao analisar os resultados do trabalho verifiquei que os tímidos tinham obtido o mesmo resultado que os extrovertidos. A diferença foi apenas que os tímidos gastaram poucos minutos a mais, já que se preocuparam com consenso e ouvir a todos os participantes democraticamente.
Assinalei estes resultados para a surpresa de minha própria colega e do grupo dos extrovertidos que eram “a bola da vez” naquela empresa. Os tímidos ficaram muito felizes com o meu assinalamento, até porque raramente alguém se lembra deles, e segundo eles mesmos devido ao seu jeito reservado eles passam “batido” no ambiente organizacional, que valoriza muito mais o barulho do que o desempenho.
Ao menos nesta empresa os tímidos tiveram o seu lugar reservado e eu fiquei muito feliz com isto!
Nos esquecemos também que todos nós temos o nosso lado tímido. Chico Buarque é um tímido de carteirinha, por exemplo. Marina Lima é super tímida, e ao vê-la uma vez numa entrevista fiquei pasma em perceber isto. No palco canta solta e de forma insinuante e nas entrevistas treme e gagueja.
Aliás, timidez é muito comum entre os artistas também!
A timidez só é ruim quando atrapalha a vida da própria pessoa, ou seja, quando ela mesma sente que há algo errado com ela. Não em função do meio, que valoriza e adora os espetaculosos, mas quando a própria pessoa sente que isto é ruim para ela.
Os tímidos tentam a todo o custo se adaptar às demandas da sociedade extrovertida bebendo demais ou se drogando.
Algumas empresas já me pediram trabalhos para “melhorar os tímidos”, porém quando verifico a situação o que querem de verdade é transformar um tímido feliz e produtivo num extrovertido.
Talvez devessem pedir trabalhos no sentido de preparar gestores para lidar com as diferentes nuances de uma equipe, ao invés de querer pessoas todas iguais!
Estudos comprovam que boas equipes e as mais produtivas são as compostas por pessoas diferentes, ou seja, por homens e mulheres e introvertidos e extrovertidos. A dificuldade reside na gestão. O gestor precisa ter uma capacidade imensa e ser muito maduro, senão corre o risco de contratar sombras, ou seja, pessoas extrovertidas como ele.
Nas relações pessoais acontece o mesmo fenômeno. As pessoas tendem a rejeitar um tímido ao invés de conhecê-lo. Se fizessem isto ficariam surpresas com o que descobririam. Um tímido normalmente é uma caixinha de agradáveis surpresas.
Ressalto que quem escreve este texto é extrovertida na maioria do tempo, e noutras é tímida. E isto não me impede de entender e admirar os tímidos, tal como eles são.
E que cada um preserve a sua singularidade e seja aceito como tal.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O LADO BOM DE ENVELHECER



O LADO BOM DE ENVELHECER


Suely Pavan Zanella

Quando uma mulher é jovem ela tem a seu favor o frescor da juventude. Ao olhar para uma garota vemos todo este belo resplendor. Mas se olharmos mais profundamente também se vê: insegurança, medo, e uma enorme vontade de se adaptar e fazer parte. Estudos e carreira são altamente valorizados pelas jovens de hoje.   
As dúvidas, porém, são frequentes:
- Será que terei sucesso?
- Será que o meu chefe gostará do meu trabalho?
- Será que ele vai me ligar amanhã?
- Será que sou bonita, linda e magra?

Óbvio que aqui falo do genérico, e daquilo que se vê na maioria das garotas de 20 e poucos anos.  
Quando ela chega aos 35/ 40 anos a coisa muda em alguns casos, posso chutar que em 50% deles.
Nesta idade ela costuma ganhar segurança, pois sabe mais o que quer. Não é obrigada a sair, só porque todo mundo sai. Nem a viajar se não tiver vontade. Nem a ficar magérrima, se assim não quiser. É menos ciumenta e vê o homem como um companheiro que se está com ela, está porque é livre e porque quer. Então não fica mais naquela neura, típica das jovenzinhas que é: Será que ele gosta de mim?
E parte para outro relacionamento toda a vez que aquele em que ela está deixa-a sufocada ou é agredida. Nesta idade a mulher justifica menos o comportamento masculino, como fazia na juventude: Ele não ligou porque está trabalhando; ele teve problemas na infância; ele anda tão cansado....etc. e tal. E pensa justamente o contrário: Ele que se cuide, senão vai me perder!
Apesar de compreensiva, não é um poço sem fundo e sabe a real diferença entre ser mulher e mãe de um homem.   
Após os 35 uma mulher quer um homem inteiro e que busca como ela o seu autodesenvolvimento em qualquer área da vida e não apenas a profissional.

Achei emblemático o depoimento da ex-modelo Luiza Brunet (foto) que após ser perguntada pelo jornal O Estado de São Paulo por qual razão não quer mais desfilar no Carnaval respondeu: 'É fundamental saber sair de cena'. Hoje ela investe em autobiografia, causas sociais e diz não querer mais emagrecer, mas ter 'qualidade de vida'.
Infelizmente nem todas as mulheres famosas tem o discernimento da Luiza Brunet, e são incontáveis os casos de mulheres maduras que insistem em viver no presente o passado que foi glamouroso. Este comportamento as torna mais ridículas do que memoráveis.
Não é tudo que cai bem num mulher acima dos 35 anos. Com esta idade ela tem outro corpo que reflete uma cabeça mais madura. Não estou dizendo aqui que uma mulher mais velha não deve se vestir deste ou daquele jeito. Mas é preciso ter bom senso. Viver do passado é ridículo, e disputar espaço com filhas principalmente é lastimável. Já vi mães que competem com suas filhas e até tem ciúmes dos olhares que elas provocam nos rapazes.
Hoje as mulheres mais velhas não são iguais à nossas mães e avós no passado. Avós podem ser bonitas e nada têm a ver com o pensamento de alguns publicitários que insistem em colocar velhinhas de cabelos brancos fazendo tricô com os netinhos em comerciais de TV. A velhice hoje ganhou magnitude e dignidade.

Envelhece quem não sonha, quem não ama e não tem projetos para o futuro.
Mas há uns 50% de mulheres mais velhas que não percebem que o tempo passou, não no sentido estético da coisa, mas no mental e emocional. Continuam a aguentar um sujeito insuportável ao seu lado, pois acham que ninguém mais irá gostar delas. Quando sozinhas mantém aquele discurso chato e insistente: Estou sozinha, mas feliz! Ora bolas, quem está sozinha e feliz não tem necessidade alguma de ficar dizendo isto de cinco em cinco minutos e muito menos escrever este tipo de coisa nas redes sociais.
Há mulheres que ao envelhecer tornam-se duras, amargas e chatas. Argh! Fuja delas!
E há uma característica das mulheres mais velhas bem resolvidas que é justamente a leveza. São leves no andar, dançam do jeito que querem, e danem-se os outros (os pesados, caretas e cheios de regras).   
E é esta leveza natural, característica da maturidade, que atrai olhares por onde passa.
Ela não é deste ou daquele jeito, ela apenas é!
As mulheres maduras e bem resolvidas (os outros 50%) têm uma sintonia entre o dentro e o fora. Tem conteúdo e o valorizam. E isto se espelha no seu corpo e no seu caminhar. Não buscam apenas preencher as expectativas alheias como fazem a maioria das mais jovens.  E só isto lhe traz enorme leveza.

Acho que foi no ano passado que a atriz Regina Duarte fez um dança pra lá de espontânea enquanto ouvia uma música. A dança, apelidada de “dancinha” nas redes sociais foi criticada por jovens e por gente não tão jovem assim, mas que provavelmente não aguenta a soltura corporal de uma mulher mais velha. Elas não precisam de manual para dançar, para transar e muito menos para viver.
 Aguente sua espontaneidade se for capaz!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

ALIENAÇÃO PARENTAL



ALIENAÇÃO PARENTAL

Suely Pavan Zanella
Este tema não é novo por aqui. Se você acompanha o meu blog já deve ter lido o postMulheres que Provocam e Manipulam” em que faço uma abordagem prática ao tema da alienação parental.
Em função de um comentário recebido por um leitor no postMulheres que Provocam e Manipulam” resolvi escrever mais sobre o assunto, mas principalmente buscarei sair do lugar comum.
Pesquisando na Internet sobre o tema vi vários artigos interessantes e inclusive a Lei assinada pelo ex Presidente Lula que disponibilizo aqui no final do texto na parte “PESQUISAS ÚTEIS”.
O que me preocupa, porém, é o preparo dos profissionais do Judiciário (advogados e psicólogos) quanto ao tema Alienação Parental.
Alienação Parental é usar a criança como mercadoria de troca em um processo de separação doentio. Advém de relações conjugais na qual um dos cônjuges ou ambos é totalmente desestruturado. Desta forma quando a separação finalmente ocorre a criança é usada como uma espécie de moeda por um dos pais ou ambos através de comentários maldosos do tipo:
- Seu pai não presta;
- Vou mandar sua mãe para a cadeia.
E até incitação para que a criança deponha acusando normalmente o pai de assédio sexual.
Gritarias são também bastante utilizadas por um dos pais como forma de tentar convencer a criança que o outro não presta. Controle emocional beirando a zero, típico de gente que é cruel e sem medida.
Ou seja, lixo atômico é depositado na cabeça e coração da criança com o único objetivo de denegrir a imagem do outro (pai ou mãe).
Infelizmente, como afirmei no texto “Mulheres que Provocam e Manipulam até a Lei Maria da Penha é usada por 50% das mulheres para alienar a criança ou o adolescente do seu pai. Os pais na prática são mais vítimas da Alienação Parental do que as mães.
A Lei apesar de clara me pareceu difusa na prática e depende muito daquele que atende a mulher ou o homem na delegacia ou no Judiciário. E isto ficou ainda mais claro quando li o depoimento desesperado de meu leitor.
Acredito que o primeiro passo que alguém deva tomar quando sentir-se vítima de alienação parental é buscar ajuda de um advogado muito bom. Pelo que já vi na minha vida profissional advogados ruins e lentos e que fazem poucas intervenções tornam o processo ainda mais difícil. E de novo, a pobre da criança, fica dividida entre o amor dos pais.
Os danos psicólogos à crianças vítimas da Alienação Parental são imensos. E recomendo à qualquer um que antes de querer ter um filho, pense seriamente. Como disse há muitos anos uma amiga psicóloga: Os pais têm que ter mais estrutura que a criança!
Usar uma criança indefesa é obrigá-la a tomar decisões a favor e contra um dos pais e ela não está apta emocionalmente a fazê-lo. Avaliar se é a mãe e o pai que usam a criança desta forma execrável é delicado. O Conselho Tutelar de São Paulo diz que tudo deverá ser provado, mas na prática, como mostra o depoimento de meu leitor, nem sempre é assim.  
A Lei é linda, os artigos que li são maravilhosos, a novela aborda o assunto, mas na prática mais e mais crianças são vítimas desta violência em que mães, principalmente, usam de todo o tipo de artifício para afastar os pais do convívio das crianças.
Já vi casos em que o avô insisti a todo tempo em se tornar o pai da criança.
Esta rede doentia de pessoas ( avós, amigos) deveria a meu ver também ser investigada por psicólogos policiais, coisa que nem sequer existe no Brasil.
Enquanto medidas efetivas e não apenas palavrórios não forem tomadas, crianças inocentes serão usadas neste jogo sujo.
Orientações devem ser dadas a este tipo de pai e mãe, para que não façam com os próximos filhos, que talvez tenham em novas uniões, este esquema de desqualificação sobre uma das figuras parentais.
Pessoas assim confundem o papel de marido e esposa com os de pais, que tem o dever de educar este ser que não pediu para nascer. Uma relação pode acabar, mas os filhos não devem carregar este peso durante suas vidas.
As crianças e adolescentes vítimas deste processo devem ser tratados para que no futuro não venham a ter problemas sérios como uso de drogas e bebidas alcoólicas, tentativas de suicídio, e sérios problemas de relacionamento.   
Também tenderão a tratar o outro como “coisa”, afinal foram assim que foram educadas. Podem ser consumistas e manipuladoras, do tipo: “Se você não fizer isto vou contar para a minha mãe” ou ainda “Se você não me comprar aquilo, não gosto mais de você”.
A criança também usará como benefício esta briga interminável entre os pais e dela buscará obter vantagens.   
Um pai ou mãe que faz isto talvez não tenha ideia do dano que está provocando em seu próprio filho. Deve ser, portanto, informado, educado, responsabilizado e dependendo do caso punido.
Espero sinceramente que as práticas destas belas leis sejam rápidas e feitas por gente gabaritada.
Lentidão e confiança apenas nas palavras de um dos genitores no caso de Alienação Parental denota amadorismo.
Gostaria de lerr comentários também de advogados focados nos seguintes aspectos: Provas da Alienação como é feito este Processo; Tempo gasto com o processo; E outras informações práticas sobre o assunto.
As demais pesquisas que fiz na Internet mostram muita dispersão sobre o tema, poucas informações práticas sobre o encaminhamento real dos processos. E por outro lado li dezenas de fóruns que mostravam pais (homens) absolutamente desesperados, mesmo quando estavam apoiados em advogados.  
Portanto, há uma diferença enorme entre o que se diz e a prática das vítimas da alienação parental.
Até quando crianças, adolescente e pais injustiçados terão que esperar?  


PESQUISAS ÚTEIS:


Síndrome da Alienação Parental: http://www.alienacaoparental.com.br/o-que-e