sexta-feira, 23 de agosto de 2013

ANDAR DE ÔNIBUS E METRÔ EM SÃO PAULO



ANDAR DE ÔNIBUS E METRÔ EM SÃO PAULO


Suely Pavan Zanella
Ontem, depois de dezesete anos sem andar de ônibus e metrô, resolvi fazê-lo para ministrar aula no MBA da Avenida Paulista.
Conto neste texto a minha aventura ou desventura.
Minha aula de Técnicas de Treinamento e Desenvolvimento no MBA de Recursos Humanos da Universidade Anhembi Morumbi começava às sete horas da noite, portanto, saí de casa às 16:30. Minha ideia era ir cronometrando o tempo até lá.
Como no local onde moro não há metrô tive que pegar um ônibus até o Jabaquara.
Saí de casa e em cinco minutos (eu ando rápido) eu estava no ponto, logo ao chegar o ônibus para o Jabaquara passou. Consegui sentar num lugar bem na frente.
E logo de cara percebi uma coisa horrível: O ônibus parecia ter problemas com os amortecedores. Chacoalhava demais!
Grande parte da minha vida eu andei de ônibus e adorava. Foi no ônibus que eu li os melhores livros, e nos tempos da faculdade cheguei até a fazer trabalhos escolares dentro dele. Ontem meus grifos no livro mais se pareciam minhocas de tão tortos que ficaram.
O espaço dos bancos também diminuiu. E fiquei imaginando como uma pessoa obesa consegue sentar-se em cadeiras tão desconfortáveis e estreitas.
Eu sou uma pessoa razoavelmente nojenta com cheiros. Antes de sair de casa tomei banho, passei perfume, fiz escova e maquiagem, afinal eu tinha que estar impecável para ministrar a aula. O mau cheiro no ônibus era grande. Uma mistura de falta de banho, cheiro de suor e mau hálito. As janelas, apesar de abertas, não ventilavam corretamente o ambiente.
A mistura entre o chacoalhar do ônibus e o mau cheiro me deu um enjoo danado em função da minha labirintite, que ataca em determinadas situações. Tive vontade de vomitar. Graças a Deus isto não aconteceu, até porque geralmente eu como muito pouco.
Outra coisa espantosa foi o trajeto, um verdadeiro horror!
Ir da Avenida Interlagos para o Jabaquara é um caminho simples, mas de ônibus não o é. Não sei por qual razão o trajeto feito passou pela Avenida Cupecê, e depois Divisa de Diadema. Por várias vezes perguntei às pessoas se havia pegado o ônibus certo. O trajeto é tão burro que seria o mesmo que ir até a Lapa, mas fazer o caminho passando por Santo Amaro!
Não sei quem é que estabelece estas rotas medíocres!
Em minha opinião os trajetos deveriam facilitar a vida das pessoas, e não as companhias de ônibus, que pelo visto só querem lota-los para ganhar mais e mais dinheiro.
Pelo que observei o trajeto não agrada nem os motoristas que tem que fazer manobras milaborantes em ruas estreitas e cheias de curvas o que aumenta o “breca e acelera” a todo o momento, resultando em mais chacoalhação. Aja estomago e equilíbrio!
Mas pelo visto só eu me incomodei com isto. No meu exercício de observação não percebi nenhuma indignação por parte de ninguém, e o equilíbrio das pessoas que estavam em pé, era simplesmente fantástico. Se eu estivesse em pé, com certeza já teria caído no chão. Descobri que as pessoas que andam de ônibus regularmente não precisam fazer ioga, já que seu equilíbrio é sensacional!
Outra coisa que me chamou muita atenção foi a falta de educação das pessoas. Há uma mais de uma década quando se sentava ao lado de alguém se pedia licença. Quando na metade do caminho resolvi ir pra banda de trás do ônibus e sentei no banco do fundão, ao sentar pedi licença a uma moça, que me olhou muito, mas muito feio.
Mas também não posso reclamar muito, um rapaz sentou-se ao meu lado e pediu licença, acredito que tenha sido bem educado em sua casa e escola.
Esta indiferença entre os seres humanos sempre em pega. Hoje em dia todo mundo fica no maldito celular o tempo todo, e desta forma não percebe o que se passa ao seu redor. Parece fuga, e como consequência ninguém respeita o seu próximo.
As pessoas ao falar também exageram no tom, quase gritam...e contam detalhes de suas vidas, uma espécie de “it's my life” do Bon Jovi. O público e o particular se misturam a todo o momento.
Meu primeiro grande “fora” aconteceu com o cobrador do ônibus ao pagar minha passagem ( eu não tenho bilhete) perguntei se havia ainda bilhete integração. Ele ficou me olhando e depois perguntou: O que é isto?
Expliquei: Um bilhete que em mil novecentos e antigamente se pagava no ônibus e que servia também para ao metrô. Uma espécie de dois em um!
- Nunca ouvi falar. Ele me respondeu!
Descobri que minha “cena” referente ao transporte público, estava absolutamente desatualizada.
Depois de uma hora de chacoalhação cheguei finalmente ao metrô Jabaquara. Mas onde ficava o Metrô?
Um senhor me disse: Fica ali!
Mas não dá para ver o metrô. Ele parece uma ilha circundada de ônibus e gente por todos os lados.
Para chegar até ele fui seguindo o pessoal (massa humana) através de uma calçada minúscula que obrigava a todos nós competir com ônibus e correndo sério risco de atropelamento.
Não sabia onde comprar o bilhete para o metrô, mas me deparei com funcionários muito gentis.
Fui do Jabaquara até a estação Ana Rosa e de lá peguei a baldeação para a Vila Madalena. Amei o metrô Vila Madalena!
O metrô basicamente não mudou muito, o que mudou foram as pessoas.
Celulares mil. Se fosse ladra faria a festa! E novamente fixação absurda neles. Não sei o que as pessoas tanto escrevem neles! Senti-me no Japão.
Bom, a educação é item faltante. Não adianta os incessantes avisos de “Não fique na porta” dado a todo o momento pelos condutores. As pessoas se fazem de surdas e não se importam de atrapalhar a passagem das outras.
Dei um fora também na hora de descer na estação Consolação com aquele maldito aviso: A porta abrirá à esquerda!
Fiquei do lado errado e tive que pedir passagem e falei: Também não falam à esquerda de quem!
O rapaz que estava à minha frente deu risada e a moça que estava com ele quase me fulminou com seu olhar. Devia ser namorada dele ou ficante! Mas tem mulher que não se garante mesmo (isto não mudou anda).
Ao desembarcar na estação Consolação meio cansada e suada e sem saber se eu ainda estava maquiada ou com o cabelo em ordem ouço um rock delicioso. Eu estava na Avenida Paulista, que delícia!
Aquele monte de gente, música boa tocando, simplesmente amo a Avenida Paulista, pra mim ela é a cara de São Paulo.
Só fiquei um tanto surpresa ao atravessar a Rua Augusta e observar que ninguém respeita o aviso vermelho. Todos os pedestres pouco se importaram com ele. Ficamos só eu e uma moça esperando o sinal verde para atravessarmos. Nem sequer o carro da polícia tentando passar no cruzamento foi respeitado pelas pessoas.
O tempo total que gastei no trajeto entre a minha casa e a universidade foi de uma hora e quarenta. Se tivesse ido de carro, seria mais confortável, mas levaria muito mais tempo, além de ter que pagar um absurdo de estacionamento.
Minha conclusão é: Os ônibus pioraram muito, o metrô continua o mesmo, mas a falta de educação das pessoas foi o que mais me chamou a atenção. Falta o básico, aquilo que antigamente aprendíamos em casa e era reforçado na escola e na sociedade.
Mas, como diz a música, é sempre lindo andar na cidade de São Paulo!

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