segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Ele(a) deveria...


As expectativas familiares diante de nossas escolhas de vida.
Por Suely Pavan

De vez em quando nossa família é obrigada a “engolir” escolhas que fazemos e não satisfazem as suas expectativas. Não estou falando aqui de péssimas escolhas, tais como: drogas, bebedeiras, ou qualquer outra coisa prejudicial. Meu foco são as escolhas de cônjuges, carreira e até a orientação sexual.
Cônjuges, parceiros afetivos: Quantos casais você já viu que a família desaprova mesmo quando finge aprovar? Os exemplos são inúmeros. A coisa funciona assim: o rapaz ou a moça escolhe determinada pessoa que não corresponde aos anseios familiares. A família gostaria que o filho ou a filha namorasse determinada pessoa. E na frente da escolha do rapaz ou da moça, e sempre que possível, não deixa de “rasgar” elogios àquela pessoa que deveria ter sido a escolha do filho (a), mas não foi. A família às vezes até de uma forma indelicada com o atual parceiro (a) lembra o filho (a) das maravilhosas virtudes do outro: inteligência, postura, beleza e carreira. Faz isto não apenas através de comentários como também mostrando descaradamente fotos, por exemplo.  A todo o momento a família tentar destruir e/ou boicotar o relacionamento atual trazendo o passado à tona. A figura do passado pode ser um (a) ex-namorado (a), um (a) amigo (o) de infância e até parentes próximos como primos (as). Esta figura é sempre recordada num tom de lástima do tipo: Veja o que você perdeu meu filho (a). Claro, que isto nunca é colocado de forma clara são apenas indiretas sacadas muitas vezes pelo parceiro (a) atual, e nem sempre detectadas pelo filho (a).
Claro, que se a escolha do atual do parceiro (a) for insensata, os pais devem e podem manifestar a sua opinião, embora na prática isto resolva pouco. Raros são os casos de filhos (as) que deixaram os seus parceiros em função da opinião dos pais. De qualquer forma cabe um alerta: Só interfira na vida/escolha afetiva de seu filho (a) se a mesma se mostrar totalmente destrutiva, fora isto “sossegue o seu facho” e aprenda a lidar melhor com os seus próprios preconceitos.
Carreira: Quantos são os que estão totalmente fora do eixo profissional, pois ao invés de seguirem o seu caminho, aptidões e talentos, ouviram as expectativas de seus pais. Encontro estes desencontros em processos seletivos e “coaching”. São pessoas que não escolheram suas profissões, mas se deixaram levar pelas expectativas dos pais. Fizeram uma faculdade, e não se sentem dentro dela, e engrossam as estatísticas da evasão escolar. Assumiram uma profissão sem abraçá-la, e hoje são infelizes. Ou são profissionais medíocres.     
Os pais têm a missão de incentivar a autonomia dos filhos através do respeito à escolha profissional, porém jamais poderão ditar o que o filho deverá ser na vida. Hoje é comum ver mães que querem a todo custo que suas filhas se tornem modelos, quando as pobres meninas nem sequer tem esta ambição. Algumas chegar ao absurdo de colocar estas meninas em concursos de misses desde a tenra infância. Mães que fazem isto deveriam lembrar-se que esta expectativa é delas e nem sempre corresponde aos anseios da criança. Pais às vezes querem perpetuar suas empresas colocando filhos que não tem o menor interesse por elas em seus processos sucessórios. Enfim, carreira, ou a escolha da mesma, tem a ver com o talento que se tem, e não com as expectativas externas, mesmo que estas sejam dos pais. Ao tentarem impingir uma determinada profissão aos filhos, estes pais só estarão conseguindo um péssimo profissional, que em nada contribuirá para o destino da nação. Gente que exerce uma profissão de que não gosta, é frustrada, faz mal a si e aos outros.    
Orientação Sexual: Grande parte dos pais brasileiros tem um sonho: Ver seus filhos se casando e tendo filhos! A procriação, infelizmente, ainda é comparada ao amor. E embora já existam estudos, e a homossexualidade não seja considerada uma doença, muita gente ainda acha que o rapaz escolhe um outro rapaz para namorar por pura sem vergonhice, o mesmo acontece com as meninas. Pais assim denotam ignorância e total desinformação. Fazemos escolhas afetivas e não sexuais. A orientação sexual poderá ser hetero, e também homo. Não há como mudar esta natureza, da mesma forma que é impossível mudar a cor da pele ou dos olhos. Ninguém escolhe ser gay ou lésbica, quero deixar isto bem claro. Quem atrofia a sua orientação sexual para agradar os pais é comprovadamente infeliz. São pessoas que vivem para agradar aos outros e não respeitam as diretrizes de seu próprio corpo. Amor é uma coisa, sexo é outra bem diferente. Os animais foram feitos para a procriação, o homem e a mulher podem adotar uma família se quiserem, e isto não é antinatural. O antinatural é fingir que se gosta de meninos, quando na realidade se prefere meninas, e vice e versa. Os tempos mudaram hoje o homossexual deve ser respeitado, inclusive legalmente o é. Se você não entende esta orientação, apenas informe-se, mas não force a barra com seu filho, e muito menos o critique por ser do jeito que ele (a) apenas é. 

3 comentários:

Karina Cremm disse...

Muito bom esse seu texto, porque é exatamente o que muitas vezes acontece.
Cada pessoa é única e tem o direito de ter sua individualidade respeitada, fazer suas escolhas sejam elas profissionais, amorosas ou de opção sexual e ainda assim serem respeitadas.
Para muitos pais, ainda é dificil entender que o filho não é sua posse, fazendo assim que o mesmo não consiga trilhar o seu proprio caminho. Tornando-se uma pessoa dependente, frágil e sem uma personalidade formada.
Os filhos aceitam por medo represárias e por receio de serem julgados pela sociedade, mal sabem eles que a sociedade sempre vai julgar independente de ser "Bom ou Mal".
Sendo assim eles tendem a seguir os mesmos passos de seus pais, e o ciclo tá formado.
Mas as opniões aos poucos estão sendo mudadas com a nova geração de pais e filhos, a sociedade tende a ser mais maleavel. E assim deve ser, temos que evoluir sempre.

Karina Cremm disse...

Muito bom esse seu texto, porque é exatamente o que muitas vezes acontece.
Cada pessoa é única e tem o direito de ter sua individualidade respeitada, fazer suas escolhas sejam elas profissionais, amorosas ou de opção sexual e ainda assim serem respeitadas.
Para muitos pais, ainda é dificil entender que o filho não é sua posse, fazendo assim que o mesmo não consiga trilhar o seu proprio caminho. Tornando-se uma pessoa dependente, frágil e sem uma personalidade formada.
Os filhos aceitam por medo represárias e por receio de serem julgados pela sociedade, mal sabem eles que a sociedade sempre vai julgar independente de ser "Bom ou Mal".
Sendo assim eles tendem a seguir os mesmos passos de seus pais, e o ciclo tá formado.
Mas as opniões aos poucos estão sendo mudadas com a nova geração de pais e filhos, a sociedade tende a ser mais maleavel. E assim deve ser, temos que evoluir sempre.
(Kcremm)

Suely Pavan disse...

Karina
Agradeço o seu comentário
Grande abraço
Suely